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Identificação de patógenos e caracterização de marcadores biológicos no humor aquoso e vítreo em uveítes infecciosas e não infecciosas

Processo: 19/25060-2
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de fevereiro de 2021 - 31 de janeiro de 2023
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina
Pesquisador responsável:Joyce Hisae Yamamoto Takiuti
Beneficiário:Joyce Hisae Yamamoto Takiuti
Instituição-sede: Faculdade de Medicina (FM). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Pesq. associados:Paulo José Martins Bispo ; Verônica Porto Carreiro de Vasconcellos Coelho
Assunto(s):Citocinas  Humor aquoso  Metagenômica  Uveíte  Oftalmologia 

Resumo

Uveíte consiste num grupo de doenças que se caracterizam por um processo inflamatório envolvendo principalmente o trato uveal e é reconhecido como uma das mais importantes causas de cegueira e morbidade ocular tratável, especialmente em idade economicamente produtiva. É responsável por 10 a 15% de todos os casos de cegueira nos Estados Unidos. As uveítes podem ser de causa infecciosa ou não, relacionados ou não a processos sistêmicos. No Brasil, causas infecciosas de uveítes respondem por aproximadamente 43 a 63% dos casos de uveítes em centros terciários. As principais etiologias das uveítes infecciosas são toxoplasmose, tuberculose, sífilis, vírus da família herpes, vírus da imunodeficiência adquirida, vírus linfotrópico de células T do adulto (HTLV-I/II), dentre outras. Nas uveítes não infecciosas, há ativação de processos da imunidade inata (doença autoinflamatória) ou imunidade adquirida (doença auto-imune), em resposta a uma infecção ou um estímulo externo, causando dano tecidual. Casos idiopáticos, que correspondem a 30 a 60% dos casos de uveítes, podem permanecer sem diagnóstico etiológico durante todo o seguimento do paciente. A definição do diagnóstico etiológico das uveítes é baseada em dados epidemiológicos, clínicos oculares e sistêmicos e no conhecimento dos vários padrões de doença. As situações nas quais o diagnóstico é definitivo são extremamente escassas, pois os processos infecciosos intraoculares geralmente se limitam a alterações locais e os processos não infecciosos são relacionados a aspectos clínicos sistêmicos inespecíficos. No entanto, as possibilidades de análise de material ocular vêm num crescente em paralelo às novas tecnologias moleculares. Desta forma, o presente projeto tem como objetivo principal a identificação de patógenos e a caracterização do perfil de citocinas no fluido intraocular nas uveítes. De forma específica, os objetivos são: a) aplicar métodos moleculares eficientes em fluido intraocular para o diagnóstico do agente etiológico das uveítes infecciosas; b) caracterizar painel inflamatório e regulatório de citocinas e quimiocinas no humor aquoso e/ou vítreo nas uveítes; c) relacionar desfechos clínicos com os agentes infecciosos detectados e marcadores biológicos detectados.Será um estudo prospectivo, num centro terciário, com período de inclusão de 6 a 12 meses, de pacientes com uveíte ativa em fase pré-tratamento sistêmico (tamanho amostral= 60 pacientes e 30 controles). Os pacientes serão avaliados quanto ao diagnóstico etiológico da forma habitual e terão um seguimento mínimo de 12 meses. Amostra de humor aquoso (volume 100-200ul) será obtida por paracentese da câmara anterior; amostra de humor vítreo será obtida na vitrectomia com indicação diagnóstica (imunossupressão, malignidade, múltiplas infecções, evolução atípica) e/ou terapêutica (descolamento de retina, hemorragia vítrea). As análises para identificação do patógeno serão por PCR multiplex em fase sólida em tiras (strip PCR) direto (herpes virus humano 1-6, toxoplasmose, sífilis e HTLV-I) e PCR tempo real para toxoplasmose, PCR multiplex (FTD Neuro 9® para virus herpes); nas amostras negativas com forte suspeita de processo infeccioso será feita análise metagenômica por sequenciamento de nova geração (mNGS). A caracterização do perfil de citocinas será feita pela tecnologia xMAP (multiple analyte profile) da Luminex® com painel para 41 citocinas/quimiocinas e para TGFb. Em pacientes com diagnóstico definido, será realizada após o controle clínico do processo inflamatório uma segunda coleta de humor aquoso para análise de citocinas. Como principais resultados deste estudo têm-se: a) correlação de fenótipos de uveíte, agente etiológico e biomarcadores (citocinas) no fluido intraocular; b) a análise por mNGS possibilitará a identificação de novos agentes que ainda não foram relacionados às uveítes; c) aplicação do solid base multiplex strip PCR direto no diagnóstico das uveítes infecciosas. (AU)