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Estudo de enfermidades emergentes em mamíferos marinhos no Brasil: brucelose, morbilivirose e coronavirose, incluindo a pesquisa de SARS-Cov-2

Resumo

Os mamíferos aquáticos são considerados sentinelas da saúde dos ecossistemas e portanto, indicadores da saúde humana e animal, indicando a presença de patógenos, degradação e mudanças no ambiente. Diversos patógenos foram relatados em mamíferos aquáticos na costa brasileira. A infecção por Brucella spp. foi demonstrada em várias espécies de cetáceos e associada ao encalhe e mortalidade destes animais. Infecções por morbilivírus também foram relatadas em cetáceos no país, associadas inclusive à mortalidade em massa de animais. Apesar da relevância destas infecções, várias questões referentes à sua imunopatogenia e epidemiologia precisam ser elucidadas. A coronavirose não vem sendo investigada em mamíferos marinhos no Brasil, mas há relatos de infecção por coronavírus em cetáceos nos Estados Unidos e Europa. A emergência e disseminação global do coronavírus SARS-CoV-2, causador da enfermidade COVID-19, impõe novos riscos sanitários com consequências imprevisíveis no contexto de saúde única. Devido ao elevado potencial de contaminação ambiental e à elevada plasticidade dos coronavírus, com riscos de transmissão interpespécies e adaptação a novos hospedeiros, o monitoramento de sua ocorrência na fauna silvestre constitui medida urgente. Em razão do caráter emergente destas infecções, da sua importância na conservação dos mamíferos aquáticos e do papel destes como sentinelas da saúde dos ecossistemas marinhos, a presente proposta tem como objetivos: (1) monitorar a ocorrência de brucelose, morbilivirose e coronavirose em cetáceos e pinípedes na costa brasileira, ampliando-se a extensão a ser monitorada em relação aos estudos prévios e caracterizando-se os patógenos detectados; (2) identificar processos patológicos associados às infecções por cada patógeno. Serão obtidas amostras de tecidos e soro dos animais nos anos de 2020 a 2022, as quais serão submetidas a testes sorológicos, moleculares e microbiológicos para a detecção dos patógenos elencados. A caracterização fenotípica e molecular, pelo sequenciamento de genes específicos ou do genoma completo das amostras positivas, será realizada quando aplicável. O resultados auxiliarão a elucidar questões epidemiológicas destas infecções no território brasileiro, contribuindo para a conservação das espécies e para a proteção da saúde humana e animal. (AU)