Busca avançada
Ano de início
Entree

Modulação da microbiota no eixo pulmão-intestino na COVID-19

Resumo

A COVID-19 é uma doença infecciosa causada pelo vírus SARS-CoV-2 e conforme dados recentes da OMS, há cerca de mais de 86,4 milhões de pessoas infectadas e quase 2 milhões de mortes, em todo o mundo. O vírus afeta principalmente as vias respiratórias, mas o trato gastrointestinal (GIT) também é um alvo. O vírus já foi detectado no esôfago, estômago, duodeno, reto e fezes de pacientes com COVID-19. Manifestações gastrointestinais prolongadas, especialmente diarreia, foram correlacionadas com redução da diversidade da microbiota intestinal, desregulação imunológica e atraso na eliminação do vírus. Portanto, as interações bidirecionais entre o intestino e o pulmão estão supostamente envolvidas nas respostas imunes na saúde ou patológicas frente ao SARS-CoV-2. Em concordância, a disbiose intestinal é associada ao aumento de mortalidade em outras infecções respiratórias, devido à inflamação exacerbada e redução de mecanismos reguladores nos pulmões e no intestino, apontando para esta importante inter-relação entre os dois compartimentos de mucosa. Logo, considerando que as mucosas dos tratos respiratório e intestinal são afetadas, além da disbiose e inflamação, é possível supor que terapias acessórias baseadas na modulação da microbiota intestinal e o restabelecimento da eubiose poderiam ser uma importante opção para a COVID-19. Portanto, nesta revisão, sumarizamos os estudos mostrando a persistência do SARS-CoV-2 no GIT e as manifestações digestórias associadas, em adição à literatura mostrando a disbiose na nasofaringe, pulmão e intestino de pacientes com COVID-19. Finalmente, mostramos o potencial papel benéfico de probióticos em outras infecções respiratórias, assim como a possibilidade de seu uso terapêutico na infecção por SARS-CoV-2. (AU)