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Busca de marcadores imunohistoquímicos para diferentes endótipos de esofagite eosinofílica

Resumo

Atualmente, e de forma global, tem ocorrido uma grande "epidemia" no diagnóstico de alergia alimentar e no de Esofagite Eosinofílica (EoE). Sabe-se que, em geral, a prevalência de EoE situa-se em torno de 0, 4% na população geral, com relatos de prevalência até 15% em pacientes com sintomas específicos de disfagia alimentar. Em pacientes com alergia alimentar mediada por IgE, essa prevalência encontra-se em torno de 4,7%. Subtendia-se, até há pouco tempo que, em geral, o diagnóstico de EoE ocorria após anos da presença de alergia alimentar mediada por IgE, de ocorrência incidental ou até mesmo como consequência do tratamento de imunoterapia oral com o próprio alimento alergênico, no qual pacientes com quadro clínico persistente eram submetidos. Em nosso ambulatório de Alergia e Imunologia do Hospital das Clínicas da FM-USP, considerado um dos maiores centros de referência nacional e latino-americana de pacientes adultos e pediátricos com o diagnóstico de alergia alimentar e Esofagite Eosinofílica, desenvolvemos uma pesquisa recente em que realizamos endoscopia digestiva alta em todos os pacientes anafiláticos ao leite de vaca (LV), independente da presença ou não de sintomas gastrointestinais e antes de serem submetidos a qualquer forma de tratamento. Dessa forma, diagnosticamos, neste grupo de pacientes, uma prevalência bem alta de 38% de eosinofilia em esôfago. Dentre estes pacientes com eosinofilia esofágica, 47% apresentavam sintomatologia típica de EoE; 23,5% eram oligossintomáticos- com sintomas de difícil detecção se não fosse por questionário de busca ativa e; encontramos 29,5% de pacientes com quadro clínico ausente do ponto de vista gastrointestinal, sendo que alguns até mesmo já apresentavam alterações endoscópicas sugestivas de cronicidade e remodelamento esofágico. Após esse estudo, anafilaxia ao LV já tem sido considerada um fator de risco para EoE e, publicações mais recentes já sugerem intervenções precoces (como endoscopia digest iva alta pediátrica) para diagnóstico inclusive em pacientes assintomáticos. Além do fato de aventarmos a hipótese de EoE ser uma doença insidiosa e latente neste grupo de pacientes e de que, talvez até mesmo preceda ou coexista com a alergia alimentar grave e persistente, toda essa investigação suscitou dúvidas se esses pacientes anafiláticos ao leite de vaca representam um endótipo diferente de Esofagite Eosinofílica e se possuem os mesmos marcadores imunohistoquímicos de pacientes que apresentam apenas EoE (sem o diagnóstico concomitante de anafilaxia ao LV), sendo este o principal objetivo desta pesquisa. (AU)