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O solo movediço da globalização: relações de trabalho na Vale S.A

Resumo

O livro trata da transformação de uma das mais importantes empresas brasileiras, a mineradora Vale S.A., numa corporação transnacional e oferece uma análise crítica das formas de integração da economia brasileira ao capitalismo global nas primeiras décadas do século XXI. A pesquisa que deu origem ao livro dedicou-se à extração mineral realizada pela empresa em dois países - Brasil e Canadá, onde a Vale comprou, em 2006, a Inco, maior produtora de níquel do mundo e um símbolo canadense. Em particular, o livro trata das relações de trabalho na empresa em contextos nacionais distintos, de modo a contribuir com a descrição da estratégia corporativa da Vale e de suas transformações diante de fenômenos como o boom e o pós-boom das commodities, com consequências marcantes para o modelo de desenvolvimento brasileiro, como comprovam a crescente importância da extração mineral na pauta de exportações do país e os efeitos da mineração para trabalhadores, comunidades e meio ambiente - como mostram o colapso das barragens da Samarco em Mariana (2015) e da Vale em Brumadinho (2019).O autor recebeu seu título de doutorado na USP e obteve bolsa da Fulbright Commission para período de estágio doutoral na Universidade da Califórnia, Berkeley, sob supervisão de Michael Burawoy (ex-presidente da ISA), reconhecido por seu método do "estudo de caso ampliado", que inspirou a pesquisa conduzida nos dois países. Rompendo os limites do nacionalismo metodológico, o autor conduziu uma investigação sociológica mutissituada, visitando instalações da empresa e realizando entrevistas com gestores, acionistas, trabalhadores e sindicalistas em localidades tão diversas como as cidades canadenses de Toronto e Sudbury (Ontário); a amazônica região de Carajás (Pará), onde se encontram as maiores minas de ferro do mundo; o porto de Ponta da Madeira (Maranhão); além de cidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Destaca-se sua descrição, até então inédita no Brasil, do longo conflito envolvendo trabalhadores e a comunidade local de Sudbury contra a Vale, que marcou o Canadá entre 2009 e 2010: trata-se da maior greve no setor privado daquele país em quase quatro décadas. A obra propõe uma abordagem teórica inovadora ao introduzir a perspectiva da "escola do capitalismo global" (de autores como William I. Robinson, William Carroll e Leslie Sklair) na análise do caso em questão, colocando-a em debate com a produção dos global labor studies sobre formas de organização extralocais de trabalhadores e com a tradição sociológica nacional, de autores como Chico de Oliveira. Uma introdução teórica robusta, dedicada à análise sociológica da transnacionalização da economia brasileira, abre o livro. O capítulo 1 dedica-se à história corporativa da Vale - de empresa estatal a uma das principais CTNs da mineração global - e a sua rede de produção global de minério de ferro. O capítulo 2 descreve a estratégia de relações de trabalho e sindicais no Brasil, enquanto o capítulo 3 traz os resultados da investigação no Canadá, descrevendo a compra da Inco, o longo conflito de 2009-2010, a reestruturação da empresa e as tentativas de organização de uma rede sindical internacional da Vale. Encerrando o livro, o capítulo 4 analisa a governança corporativa da empresa e sua transformação em anos recentes, com crescente participação de fundos transnacionais em seu capital social, ilustrando a transnacionalização das empresas e da economia brasileira .A publicação deste trabalho foi fortemente recomendada pela banca avaliadora (André Singer, Leonardo Mello e Silva, Rodrigo Santos e Ruy Braga) e em eventos científicos (LASA Barcelona - 2018, International Congress on Strikes and Social Conflicts - 2018, ALAST Bogotá - 2019, ANPOCS - 2019, ABET - 2019, além de aprovado para o ISA Forum 2020/2021). A qualidade do livro comprova-se também pelo convite a sua publicação pela Boitempo Editorial, uma das mais prestigiadas casas editoriais do país. (AU)