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Escritos sobre fenomenologia da percepção: espacialidade, corpo, intersubjetividade e cultura contemporânea

Resumo

Apresentamos, neste livro, uma sistematização crítica do conjunto dos nossos trabalhos de pesquisa produzidos ao longo dos últimos nove anos e dedicados a investigações no campo da fenomenologia da percepção. Os fios conceituais que se encadeiam em nossos estudos, e que se expressam na organização do livro, são dirigidos a dois aspectos das teorias fenomenológicas da percepção: a) a dinâmica entre o visível e o invisível, entre a presença e a ausência, e b) a concentricidade, observada no seu trançado teórico, entre problemas da percepção espacial, da percepção do corpo próprio e da percepção social. Destes elementos sobressai a proposição que assumimos como o princípio que orienta nossas pesquisas: a instituição, na fenomenologia, de um espaço conceitual alicerçado numa concepção corpórea da subjetividade, e que se pauta em um tipo de intencionalidade motora compatível com a posição de um sentido prático e vital da percepção, ou de um caráter praxiológico da intencionalidade perceptiva. Esta matriz conceitual, ao mesmo tempo em que é admitida como fundamento das nossas investigações, é submetida a exame no livro, que possui natureza teórico-conceitual. A obra é dividida em três partes. Cada uma delas é precedida por um texto introdutório, que circunscreve o campo temático nela privilegiado e apresenta aspectos gerais dos seus capítulos, bem como o contexto intelectual da sua elaboração. Apresentamos e discutimos, na primeira parte, princípios teórico-conceituais da concepção praxiológica da experiência perceptiva. Guiamo-nos, sobretudo, pela investigação da relação entre percepção e impercepção na obra de quatro autores: Edmund Husserl, Viktor von Weizsäcker, Maurice Merleau-Ponty e Renaud Barbaras. Na segunda parte do livro, desenvolvemos tópicos relacionados a estes fundamentos da fenomenologia da percepção a partir de uma estratégia interdisciplinar, notadamente em referência às fronteiras entre a filosofia, a psicologia teórica e a psicologia experimental e clínica. Ao explorarmos os temas da corporeidade, da imaginação e da intersubjetividade, vinculando-os à vida perceptiva, ressaltamos os conceitos psicológicos de esquema e imagem corporal, de imageria mental, de percepção amodal e de atenção conjunta. Na parte final da obra, o tema da atenção é tomado como linha metodológica para o exame da relação entre as condições sócio-históricas e culturais, as formas concretas de exercício da percepção, e o saber acerca da experiência perceptiva. Empenhamo-nos em compreender as condições de percepção na realidade social contemporânea, marcada pelo capitalismo e pela técnica. Fica evidenciada a importância de se discutir, atrelada aos desafios sociais contemporâneos, uma dimensão ética da percepção. A partir disso, realizamos, ainda, a análise da historicidade e da dinamicidade da vida perceptiva na perspectiva do sujeito percipiente. Esperamos que resulte do trabalho a corroboração dos laços inextricáveis entre percepção e movimento, entre perceber e agir, que se convertem nas ideias de percepção como exploração perceptiva, como interrogação e como abertura à alteridade, além do delineamento de um campo de investigações relativo a uma ética da percepção. (AU)

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