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Efeito de dose letal e subletal de agroquímicos no transcriptoma de abelhas Apis mellifera africanizadas

Resumo

Observa-se nos últimos anos uma redução da população de abelhas, tanto silvestres quanto manejados para produção e serviços de polinização. Uma das prováveis causas deste declínio está relacionada ao uso indiscriminado de agroquímicos e a consequente exposição das abelhas a estas moléculas, podendo afetar a manutenção e/ou sobrevivência da colônia. Apesar dos valores de DL50 serem importantes para demonstrar a toxicidade aguda dos para as abelhas, esses testes não consideram os efeitos da exposição das abelhas a doses subletais (inferiores a DL50) a que as abelhas são expostas em campo, o que pode comprometer diversas vias fisiológicas, afetar a colônia. Estudos têm demonstrado que dentre os produtos químicos utilizados, os inseticidas são os mais prejudiciais às abelhas; entretanto, fungicidas e herbicidas também pode afetar as colônias, podendo promover alterações comporatmetias e fisiológicas. Desta forma, os objetivos deste trabalho serão avaliar de diferentes agroquímicos (Fipronil, Imidaclopride, Piraclostrobina e Glifosato) em dose letal e subletal em abelhas Apis mellifera africanizadas, na fase de campeiras, por meio da análise de transcriptoma. Será realizado o diagnóstico da presença de doenças nas colônias selecionadas para o presente projeto, uma vez que estas podem afetar os resultados de transcriptoma, para o vírus da paralisia aguda (VPA), vírus deformador de asas (VDA), Melissococcus pluton, Nosema apis, Nosema ceranae, Paenibacillus larvae. Após a confirmação da inexistência dessas doenças, abelhas recém-emergidas de dez colônias distintas serão marcadas na região do pronoto e devolvidas as suas respectivas colônias; após 21 dias, 10 das abelhas campeiras previamente marcadas serão capturadas de cada colônia, aleatoriamente, totalizando cinco repetições por produto e concentração. Para os testes de ingestão, estas abelhas serão mantidas em jejum por um período de 3 horas, para esvaziar o conteúdo de sua vesícula nectarífera. Em seguida, será fornecido 1 ml de xarope de mel contendo a dose letal (DL50) e subletal (DL50/100) dos agroquímicos. Para os testes de contato, 10 abelhas campeiras de cada colônia experimental, coletadas como descrito anteriormente, receberão 2 mL contendo a dose letal (DL50) e subletal (DL50/100) dos agroquímicos. As abelhas serão colocadas e mantidas em placas Petri perfuradas para garantir ventilação e mantidas em estufa (33±1,0 ºC e 75% U), totalizando cinco repetições. Abelhas campeiras serão mantidas como controel, sem a contaminação com os produtos. Após 1 e 4 horas de exposição, 20 abelhas serão coletadas aleatoriamente para as análises do transcriptoma. As abelhas coletadas em cada tratamento serão imediatamente congeladas em ultra freezer a -80°C,onde serão mantidas até o processamento. O RNA total do tecido cerebral das abelhas de cada réplica será extraído pelo método de Trizol. Os cálculos das medidas de expressão gênica a partir das sequências de mRNA e a geração de perfis de expressão gênica serão realizados na plataforma CLC Genomics Workbench 7.01 (CLC Bio, Dinamarca). Diferenças entre os tratamentos serão comparados por ANOVA, seguida do teste de Bonferroni (p<0,01) para múltiplas comparações. O teste exato de Fisher será considerado o método estatístico (valor de p <0,05), com correção da taxa de falsa descoberta(<0,05) para as análises de ontologia genética (GO). Espera-se com esse projeto obter importantes informações de como a exposição de abelhas Apis mellifera aos agroquímicos estudados pode alterar o perfil de expressão gênica em tecido cerebral de abelhas e quais vias metabólicas e fisiológicas que podem sofrer alterações nestas condições. (AU)