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Contribuição das redes extracelulares de neutrófilos (NETs) e da ativação plaquetária para a imunotrombose na COVID-19 e efeito inibitório de substâncias que aumentam os níveis intracelulares dos nucleotídeos cíclicos

Resumo

Aproximadamente 14% dos pacientes com doença pelo coronavírus 2019 (COVID-19) tem manifestações graves e 6% tem evolução para quadros críticos, sendo a letalidade em torno de 4%. Casos graves se manifestam após 7 a 8 dias do início da doença, e a progressão para a forma crítica ocorre em média após o 11º dia de sintomas. A patogênese da COVID-19 está relacionada a invasão do coronavirus da síndrome respiratória aguda grave - 2 (SARS-CoV-2) nas células epiteliais das vias aéreas combinada com a reação imunológica do hospedeiro. A resposta inflamatória sistêmica não controlada é o principal mecanismo por trás da síndrome respiratória aguda grave e do estado de hipercoagulabilidade. Este é atribuído ao fenômeno de imunotrombose, cujas principais células participantes são monócitos, que expressam fator tecidual, neutrófilos, que liberam redes extracelulares compostas de DNA, enzimas e histonas (NETs) e plaquetas, através da secreção de quimiocinas. O objetivo desse projeto é descrever, em um estudo longitudinal, a associação entre a cinética de formação de NETS e de ativação plaquetária durante hospitalização por COVID-19 e a ocorrência de eventos tromboembólicos, necessidade de ventilação mecânica e óbito. Também avaliaremos a capacidade do soro dos pacientes com COVID-19 causar a liberação de NETS e ativação de plaquetas e identificaremos substâncias capazes de inibir "in vitro" o processo de imunotrombose. Para tal, faremos o acompanhamento prospectivo de 100 pacientes com COVID-19 e dosaremos marcadores de NETs (MPO-DNA e H3 citrulinado), atividade plaquetária (PF4 e RANTES) e citocinas inflamatórias (TNF-±, IL-17a, IL-6, and IL-8) em 4 tempos da hospitalização (admissão, dia +4, dia+8 e último dia de internação). Avaliaremos a associação da mudança do padrão desses marcadores com os desfechos clínicos. Realizaremos ensaios de cultura de neutrófilos normais com soro de pacientes e quantificaremos a concentração de NETs no meio. Realizaremos ensaios de estimulação plaquetária utilizando soros de pacientes e dosaremos o potencial de agregação e degranulação das plaquetas estimuladas. Posteriormente, avaliaremos o potencial inibitório sobre liberação de NETs e ativação plaquetária de substâncias que aumentas as concentrações intracelulares de AMPc e GMPc, bem como aspirina e enoxaparina. Os resultados permitirão: 1. Conhecer a cinética do processo de imunotrombose ao longo do período de hospitalização por COVID-19, identificar o momento da evolução da doença em que há maior alteração desse fenômeno e associá-lo a ocorrência de desfechos clínicos adversos; 2. Identificar drogas com potencial de inibir a liberação de NETs e a ativação plaquetária "in vitro", cuja eficácia terapêutica poderá ser testada no futuro para tratamento da COVID-19 e de outras doenças associadas a imunotrombose. (AU)

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