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Estudos sobre arboviroses e viroses associadas a roedores

Processo: 03/03682-3
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Temático
Vigência: 01 de fevereiro de 2004 - 31 de julho de 2008
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Microbiologia
Pesquisador responsável:Luiz Tadeu Moraes Figueiredo
Beneficiário:Luiz Tadeu Moraes Figueiredo
Instituição-sede: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP). Universidade de São Paulo (USP). Ribeirão Preto, SP, Brasil
Pesquisadores principais:Eurico de Arruda Neto
Bolsa(s) vinculada(s):06/50693-9 - Isolamento de vírus Oropouche adaptado a crescer a baixa temperatura ('cold-adapted'), BP.IC
05/51842-5 - Estudo sobre a ação da proteína n recombinante do Hantavirus Araraquara sobre o aparelho cardiovascular de ratos, BP.IC
Assunto(s):Virologia  Viroses  Arbovirus  Hantavirus  Dengue  Febre amarela 
Publicação FAPESP:http://www.fapesp.br/tematicos/saude_figueiredo.pdf

Resumo

Este projeto temático inclui 13 subprojetos de pesquisa que visam obter informações relevantes sobre arbovírus e vírus associados a roedores causadores de doenças importantes que ocorrem no Brasil, na maioria emergentes. Tem duração de 4 anos. O flavivírus do dengue tipo 1 foi introduzido em 1986 no Rio de Janeiro e espalhou-se pelo Brasil causando gigantescas epidemias. Em 1991, o vírus do dengue tipo 2 produziu grande surto no Rio de Janeiro onde começou-se a observar casos de dengue hemorrágico/síndrome de choque do dengue (DHF/DSS). O dengue tornou-se endêmico com os 2 tipos circulando em cidades infestadas por Aedes aegypti. A partir de 1998, centenas de milhares de casos de dengue vem sendo notificados todo ano e ocorrências de DHF/DSS surgem de forma crescente. Em 2001, o dengue tipo 3 foi introduzido no Rio de Janeiro, mais de 800000 casos foram notificados em 2002 e houveram centenas de ocorrências de DHF/DSS com cerca de 100 óbitos, prenunciando endemia nos moldes asiáticos com múltiplos sorotipos circulando e DHF /DSS como gravíssimo problema de saúde pública. Como parte deste projeto temático pretende-se: desenvolver e/ou aperfeiçoar métodos de biologia molecular para o diagnóstico do dengue, estudar a patogenia das infecções por estes vírus, bem como alterações genômicas virais associadas a maior gravidade de infecção. A febre amarela sob forma silvestre, associa-se a uma zoonose de primatas transmitida por mosquitos Haemagoggus que vem expandindo suas epizootias pelo Brasil. Nos últimos 4 anos, dezenas de casos graves de febre amarela, na maioria fatais, vem sendo descritos próximos às regiões densamente povoadas de Brasília, Goiânia e Belo Horizonte e, inclusive, atingindo o norte do Estado de São Paulo. A febre amarela ameaça o país com sua urbanização já que as cidades estão infestadas pelo vetor Aedes aegypti. A vacina anti-amarílica 17DD de vírus atenuado, altamente imunogênica, vem evitando esta urbanização. Porém, raros casos fatais associados à vacina podem limitar seu uso. Neste projeto, pretende-se estudar a estrutura da RNA polimerase (NS5) do vírus amarílico, enzima fundamental ao seu processo replicativo e cujo conhecimento da estrutura permitiria entender seu mecanismo funcional e desenvolver drogas antivírus.O Orthobunyaviros Oropouche, segundo arbovírus em número de casos no Brasil, causa grandes surtos de doença febril aguda e alguns casos de encefalite em cidades e vilas ribeirinhas dos rios amazônicos. O vírus adaptou-se a ciclo urbano envolvendo o mosquito Culicoides paraensis como vetor e o homem como reservatório. Supõe-se que 500000 brasileiros tenham se infectado com Oropouche nas últimas décadas. Neste projeto pretende-se: testar drogas contra Oropouche visando descobrir terapêutica específica, caracterizar um modelo de infecção experimental em hamster, estudar a propagação do vírus em culturas celulares, investigar mecanismos biológicos envolvidos no seu ciclo replicativo e criar cepa viral termo-sensível para o desenvolvimento de vacina. Os Hantavírus, vírus associados a roedores, causam a Síndrome Pulmonar e Cardiovascular (SPCVH) descrita no país em 1993, e que já tem 240 casos notificados, com letalidade de 40%. Estudando 14 destes casos, observamos inicialmente febre, mialgia e astenia e após 3 a 5 dias, a doença evolui com tosse seca, que posteriormente toma-se produtiva e dispnéia que progride para franca insuficiência respiratória, culminando com choque cardiocirculatório. Observamos hipoxemia, elevação do hematócrito e plaquetopenia. Também, desenvolvemos sensível RT-PCR diagnóstica para Hantavírus e analisando o sangue de pacientes com SPCVH pudemos detectar genoma viral em 11 casos. Seqüências nucleotídicas dos amplicons da RT-PCR exibiram alta homologia com a do Hantavírus Araraquara (96,5 a 87,7%), mostrando que nossos casos foram causados por este vírus. Ainda, realizamos em 2001 estudo sorológico sobre hantavirose no Município de Jardinópolis que teve 818 participantes e destes, 14,3% apresentavam anticolpos igg para o Hantavírus Andes detectados por ELISA. Não se associaram soropositivos a sexo, idade, referência a contato com roedores e antecedente de pneumonia grave. Estes resultados fazem-nos supor que infecções por Hantavírus sejam freqüentes em nosso meio e que poderiam coexistir mais de um Hantavírus causando infecções humanas de menor gravidade na região. Também, supomos ser rara a SPCVH e determinada por fator, talvez genético, presente em minoria de indivíduos no contingente de infectados. Neste projeto, pretende-se: buscar ativamente por infecções benignas por Hantavírus analisando a doença e o vírus causador, estudar a patogenia da SPCVH analisando citocinas e marcadores genéticos de pacientes, produzir proteína N recombinante do vírus Araraquara para uso em diagnóstico sorológico e como candidata a vacina e estudar a interação Hantavírus-célula. Este projeto de pesquisa temático deverá subsidiar linhas de pesquisa principais dos virologistas da FMRP-USP agregados no prédio recém-construído da nova Unidade Multidepartamental de Pesquisa em Virologia. (AU)

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