Busca avançada
Ano de início
Entree

Ratas de meia idade são resistentes aos deficits cognitivos, motores e dopaminérgicos no modelo progressivo de Doença de Parkinson induzido por reserpina

Resumo

A doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa mais comum. Os principais sintomas são sinais motores, como tremor de repouso e dificuldade de inicialização dos movimentos. Alterações não motoras, como déficits cognitivos, podem preceder os sintomas motores. A DP é mais frequente em homens do que mulheres. Os mecanismos relacionados a essa diferença não são totalmente compreendidos. Há evidências de que o sexo feminino apresenta características distintas na função dopaminérgica em comparação ao masculino. Embora a gravidade das deficiências motoras seja freqüentemente comparada entre os sexos, pouco se sabe sobre as diferenças entre os sexos no estágio prodrômico. A maioria dos modelos animais de DP apresenta comprometimento motor grave imediato, o que impede o estudo de sintomas não motores. Nosso grupo de pesquisa propôs uma adaptação do protocolo clássico da reserpina, usando baixas doses em um tratamento crônico. Este método permite a observação de comprometimento motor progressivo, bem como déficits pré-motores. Aqui nós investigamos possíveis diferenças sexuais neuronais e comportamentais nos efeitos do tratamento repetido com uma dose baixa de reserpina em ratos. Ratos Wistar machos e fêmeas receberam de 10 a 15 injeções de reserpina (0,1mg / kg) ou veículo, em dias alternados. Acompanhamos as fases do ciclo estral e realizamos avaliações motoras e cognitivas (catalepsia, campo aberto, movimentos orais e testes de reconhecimento de objetos). A eutanásia ocorreu 48 horas após a 10ª ou 15ª injeções, com coleta de sangue para quantificação de hormônios sexuais e cérebros para imunohistoquímica da tirosina hidroxilase (TH) na substância negra pars compacta (SNpc). A reserpina induziu catalepsia progressiva, movimentos orais involuntários e déficits cognitivos em ratos machos. Os efeitos comportamentais da reserpina foram atenuados (motores) ou ausentes (cognitivos) nas fêmeas. A reserpina diminuiu a imunorreatividade dos TH em machos, mas não em fêmeas. Os níveis de estrogênio em fêmeas se correlacionaram negativamente com a duração da catalepsia. Nossos achados mostram que o sexo feminino apresenta retardo e / ou prevenção nas alterações motoras induzidas pela reserpina no modelo de DP progressivo, compatível com a menor prevalência dessa doença em mulheres. Além disso, as fêmeas foram protegidas do déficit no reconhecimento de objetos no estágio prodrômico. A ausência de diminuição da imunorreatividade do HT induzida pela reserpina sugere que diferenças na função / plasticidade dopaminérgica estão relacionadas a essa proteção no sexo feminino. (AU)

Matéria(s) publicada(s) na Agência FAPESP sobre o auxílio:
Matéria(s) publicada(s) em Outras Mídias (0 total):
Mais itensMenos itens
VEICULO: TITULO (DATA)
VEICULO: TITULO (DATA)