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Reconstruindo o cuidado num mundo pós-pandemia

Processo: 21/07888-3
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de fevereiro de 2022 - 31 de janeiro de 2025
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Outras Sociologias Específicas
Convênio/Acordo: Trans-Atlantic Platform for the Social Sciences and Humanities
Pesquisador responsável:Nadya Araujo Guimarães
Beneficiário:Nadya Araujo Guimarães
Pesq. responsável no exterior: Javier Armando Pineda Duque
Instituição no exterior: Universidad de los Andes, Colombia, Colômbia
Instituição-sede: Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). São Paulo , SP, Brasil
Pesq. associados: Ana Amélia Camarano ; Anna Bárbara Araujo ; Daniel Groisman ; Guita Grin Debert ; Luana Simões Pinheiro ; Pedro Augusto Gravatá Nicoli ; Regina Stela Corrêa Vieira ; Simone Wajnman
Assunto(s):Pós-pandemia  Políticas públicas  Desigualdades  Ação coletiva  Vulnerabilidade  Estudos de gênero  Condições de trabalho 

Resumo

A recente crise sanitária evidenciou a centralidade do cuidado. Ela despertou a atenção da miríade de conexões sociais que sustentam o cuidar para quão essencial é essa atividade. Mas, se o trabalho de cuidado nunca foi tão visível, poucas vezes foi tão precário. A pandemia do COVID19 revelou vulnerabilidades vividas seja por destinatários, seja por provedores. Evidências documentaram as consequências desproporcionalmente negativas para as mulheres - particularmente negras, migrantes e refugiadas, fossem elas trabalhadoras ou beneficiárias de cuidados. Revelou igualmente as limitações dos sistemas de cuidado, ao agravar em todo o mundo a chamada "crise dos cuidados", em especial nos espaços mais vulneráveis. Neste projeto analisaremos essa matriz fragmentada e descoordenada da prestação de cuidados, não raro marcada pela sobreposição de políticas e regulações muitas vezes concorrentes. Reconstruir uma organização social do cuidado robusta e resiliente requer uma compreensão abrangente da economia do cuidado, o que envolve aprender com iniciativas inovadoras nos diferentes países. Nossa equipe transnacional de especialistas, parceiros em redes de pesquisas comparativas anteriores, focalizará Brasil, Canadá, Colômbia, Estados Unidos, França e Reino Unido, o que permitirá representar variados regimes de bem-estar, níveis de desigualdade, formas de organização social de cuidados e arquiteturas dos sistemas de saúde - traços centrais para entender capacidades e explicar respostas à crise. As comparações se farão a partir de quatro eixos: (i) Arranjos familiares, necessidades e modalidades de cuidados. No eixo 1 analisaremos a como os diferentes tipos de famílias têm lidado com as necessidades habituais de cuidados e como o fizeram quando a pandemia ampliou tal demanda. Exploraremos metodologias alternativas disponíveis para organizar bases de dados nacionais, para identificar as conexões entre parentesco, atividades econômicas, transferências de tempo dedicado ao cuidado e estratégias de contratação de trabalho doméstico. (ii) As condições de trabalho e os direitos de quem provê cuidado. No eixo 2 avaliaremos as condições de emprego, saúde e bem-estar, antes e durante a pandemia, abrangendo a diversidade de grupos ocupacionais que se enquadram na definição de trabalhadores no cuidado. Isso se fará por meio de um survey transnacional em parceria com organizações de trabalhadoras remuneradas de cuidado sediadas nos seis países. Paralelamente, estudos qualitativos enfocarão as experiências de trabalhadore(a)s remunerado(a)s de cuidado, antes e durante a pandemia. (iii) O cuidado como dimensão estratégica das políticas públicas. No eixo 3 analisaremos a infraestrutura social dos sistemas de cuidado e suas matrizes de políticas para compreender as respostas do Estado à pandemia. A comparação, ancorada em uma abordagem multiescalar, fornecerá um mapeamento mais preciso dos distintos sistemas institucionais de cuidados e das formas de regulação do direito ao cuidado, base para reconstruir mais resilientes sistemas de cuidado. (iv) As estratégias comunitárias de cuidado: fazendo face às fragilidades da ação estatal O eixo 4 enfocará o papel das experiências de ação coletiva voltadas para fazer face à fragilidade das políticas de cuidado. Isso será feito por meio de estudos qualitativos de experiências conduzidas em áreas vulneráveis em metrópoles selecionadas. Entendendo que a vulnerabilidade não decorre apenas da pobreza, analisaremos também iniciativas coletivas para acesso ao cuidado protagonizadas por grupos estigmatizados por sua orientação sexual ou por sua origem étnico-cultural e religiosa. Compartilharemos andamento e descobertas com profissionais do cuidado e demais atores relevantes via eventos regulares que monitorarão avanços e transferência de resultados. Formação de quadros está planejada. Atividades públicas disseminarão achados e recomendações. Conclusões serão apresentadas em conferências e publicações. (AU)

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