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Consumo, dependência a nicotina e motivação para cessação de tabagismo durante estágios iniciais da pandemia de COVID-19 no Brasil: Estudo transversal

Resumo

Introdução: A pandemia de COVID-19 pode ter alterado os hábitos tabágicos visto que o isolamento social e medidas de lockdown impactaram diretamente a rotina da população. Alem disso, fatores como dificuldades financeiras, mudanças na rotina de trabalho, medo e ansiedade relacionada a contaminação e ao vírus podem influenciar no perfil de consumo de tabaco neste período. Para a população tabagista, conhecer informações sobre hábitos tabágicos e a pandemia podem auxiliar medidas de cessação do tabaco alem de prevenção e controle da COVID-19 para tabagistas. O presente estudo teve como objetivo analisar os efeitos da pandemia de COVID-19 no consumo de tabaco, níveis de dependência de nicotina e motivação para cessação do tabagismo. Também foram coletadas informações de fumantes sobre os níveis de conscientização sobre as consequências do uso do tabaco e os riscos que os fumantes têm de complicações graves do COVID-19. Métodos: O estudo foi previamente aprovado pelo comitê de ética e pesquisa institucional. Foi realizada pesquisa observacional e transversal do tipo "survey". Foram avaliados 122 fumantes que responderam a um formulário online (Google Forms). Foram incluídos tabagistas de ambos os sexos fumantes de qualquer modalidade de tabaco (cigarro convencional ou eletrônico, corda, narguilé) há pelo menos um ano. Os participantes foram recrutados por meio de Mídias sociais, televisão e jornais forneceram dados gerais sobre seu histórico de tabagismo, seus hábitos tabágicos nos meses de abril e maio de 2020 e o efeito da pandemia em seus hábitos tabágicos. Os participantes realizaram teste de Fagerström, o qual avalia o nível de dependência a nicotina. Também foram avaliados possíveis sintomas de abstinência pela Wisconsin Smoking Withdrawal Scale. Por fim os fumantes responderam a um questionário sobre o nível de conhecimento sobre o risco de complicações da COVID-19 relacionadas ao tabagismo. Resultados: Fumantes apresentaram media de idade de 36,47±14,82 anos, sendo 50,82% da amostra do sexo masculino. Quando comparados aos níveis pré-pandemia, a maioria dos fumantes relatou aumento do consumo de tabaco de 1 a 10 cigarros por dia (37,7%). A motivação para parar de fumar (59,84%) e o desejo de fumar (53,28%) permaneceram inalterados pela pandemia. A maioria dos participantes demonstrou estar ciente dos riscos aumentados que os fumantes têm de complicações graves relacionadas ao COVID-19 (p <0,001). Foram identificadas as seguintes correlações: cigarros/dia antes da pandemia e motivação para parar de fumar (r= 0,19; p= 0,03), cigarros/dia e nível de dependência de nicotina (r= 0,61; p= P<0,001) e consumo de carga e nicotina grau de dependência (r= 0,69; p= P<0,001). Não foram observadas correlações significativas entre consumo de carga e motivação para parar (r= 0,13; p= 0,12). Conclusões: Conclui-se que a maioria dos fumantes está ciente dos riscos aumentados de complicações graves relacionadas ao COVID-19. Nos estágios iniciais da pandemia de COVID-19 no Brasil, a maioria dos fumantes relatou aumento no consumo de cigarros. Além disso, a motivação para parar e o desejo de fumar permaneceram inalterados para a maioria dos fumantes. (AU)

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