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Papel da proteína dissulfeto isomerase A3 em aprendizagem e memória

Resumo

O enovelamento redox através da formação de ligações dissulfeto constitui uma etapa crítica para a homeostase de proteínas, ou proteostasis (do inglês, protein homeostasis), no retículo endoplasmático (RE). Apesar do ambiente oxidante do lúmen do RE favorecer termodinamicamente a formação de ligações dissulfeto, as inúmeras combinações entre resíduos de cisteína de uma cadeia polipeptídica propicia a formação de ligações incorretas. Tais ligações podem levar a conformações anormais das proteínas, ocasionando perda de função biológica associada ao aumento da degradação de proteínas e toxicidade celular em virtude do acúmulo de agregados proteicos no RE. As proteínas dissulfeto isomerases (PDIs) constituem uma família de oxirredutases que catalisam a formação, isomerização e redução de ligações dissulfeto no lúmen do RE. Desta forma, estas enzimas contornam a barreira cinética para a formação de ligações dissulfeto nativas e reparam conformações anormais contendo resíduos de cisteína mal pareados. A disfunção das PDIs tem sido associada à patogênese de doenças neurodegenerativas. Recentemente, nosso grupo de pesquisa descobriu uma mutação recessiva no gene PDIA3, o qual codifica a proteína dissulfeto isomerase A3 (PDIA3), como causa de deficiência intelectual (DI) severa em crianças. A mutação não sinônima que causa DI substitui um resíduo de cisteína catalítico por tirosina (p.C57Y), sugerindo que a perda de atividade enzimática da PDIA3 causa problemas cognitivos. Assim, estabelecemos a relação entre alterações do enovelamento redox no RE também com a etiologia de patologias do desenvolvimento do sistema nervoso (SN). Embora existam claras evidências genéticas e bioquímicas associando disfunção da PDIA3 com doenças do SN, seu papel biológico nas redes neurais permanece desconhecido. O estudo espaço-temporal da expressão e atividade da PDIA3 em distintas populações de neurônios torna-se necessário para compreender sua contribuição para processos neurais e como sua disfunção ocasiona a vulnerabilidade neuronal em condições patológicas, fundamentando o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas. Neste projeto, pretende-se utilizar uma estratégia sistemática e multidisciplinar para desvendar a função da PDIA3 na proteostasis do RE de neurônios do hipocampo e sua importância para o processo de aprendizagem e memória. Empregar-se-á a manipulação genética de Pdia3 em camundongos para estudos de comportamento, seguido de detalhada caracterização histopatológica e bioquímica para determinação de alterações celulares e moleculares relacionadas à observação de possíveis fenótipos. Adicionalmente, utilizar-se-á cultivo celular para identificação de interatores e substratos da PDIA3, cuja relevância para aprendizagem e memória será verificada pela análise proteômica dos modelos de camundongo geneticamente modificados. (AU)

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