Resumo
O estudo da biodiversidade não é a mera documentação da diversidade taxonômica, química e genética dos organismos, mas engloba o entendimento de como tais níveis distintos de diversidade suportam a funcionalidade do ecossistema e reagem a mudanças ambientais naturais e/ou antrópicas. A maior parte da biodiversidade do planeta é representada por plantas e insetos tropicais. Pelo fato de as plantas servirem de base para o ecossistema e dos insetos (i.e., herbívoros e seus inimigos naturais) serem repórteres sensíveis a mudanças climáticas, esses taxa são o foco desta proposta. A Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo estende-se desde a costa litorânea até o interior do estado de São Paulo, abrangendo fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, um dos hotspots mundiais de biodiversidade e endemismos, e cerca de 10% da população brasileira. Este projeto visa contribuir para o aprofundamento dos dados gerados pelo Plano de Desenvolvimento Institucional em Pesquisa do Instituto de Botânica (PDIP-IBt/FAPESP) acerca deste cinturão, e objetiva mapear e testar a relação entre os diferentes níveis de diversidade ao longo de um gradiente de impacto humano causado pela urbanização, utilizando-se de plantas do gênero Piper e suas interações multitróficas com insetos. A predição é de que, frente a níveis elevados de temperatura e poluentes, as comunidades de plantas se tornem fitoquimicamente menos diversas e estejam associadas a uma menor diversidade de insetos de, predominantemente, herbívoros generalistas, sem que necessariamente haja uma redução na diversidade taxonômica ou genética vegetal. Um aspecto técnico inovador deste projeto no levantamento da diversidade fitoquímica envolve o uso de respostas induzidas em plantas e a coleta de compostos voláteis a partir de suas emissões por folhas sob condições realísticas em campo. Em campo, a diversidade genética e fitoquímica será manipulada, ao passo em que a diversidade das interações será estimada. Em laboratório, a função das dissimilaridades fitoquímicas entre ambientes e o efeito de mudanças climáticas previstas para o futuro na performance de plantas-herbívoros-parasitoides serão testados. Portanto, pretende-se com esse projeto nuclear uma nova e inovadora linha de pesquisa no Instituto de Botânica que explora níveis distintos de diversidade como estimativas da qualidade do ecossistema, identificando e desafiando adaptações locais com aumentos de temperatura e CO2 previstos para 2080 que nos ajudarão a compreender melhor o impacto que os próximos 60 anos terão sobre o que levou 60 milhões para evoluir. (AU)
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