Resumo
O tratamento do câncer é um grande desafio no mundo e, no Brasil como em outros países de renda média (segundo o Banco Mundial), as taxas de incidência devem aumentar em 68% até 2040. A estimativa de custos diretos com o tratamento de câncer no Brasil (Saúde Suplementar e SUS) em 2020 foi de R$19 bilhões dos quais R$7,8 bilhões estavam relacionados a tratamentos quimioterápicos. Cerca de 70% dos pacientes com tumores avançados são candidatos à quimioterapia e destes cerca de 60% não respondem ao tratamento inicial, o que representa anos de vida perdidos, baixa qualidade de vida e grande perda de recursos. Apesar das expectativas com relação aos testes genéticos, apenas 8,3% dos pacientes com doença metastática são candidatos às terapias alvo, considerando todos os tumores combinados, e 4,3% deles se beneficiam do tratamento. Desta forma, a busca isolada por marcadores genéticos não permite antever a resposta tumoral a diferentes drogas. Portanto, há a necessidade de utilização de abordagens funcionais, aquelas nas quais as células tumorais vivas são avaliadas quanto a sua resposta à terapia. Nesta condição, as vulnerabilidades tumorais podem ser testadas na complexidade individual de cada tumor, como uma verdadeira medicina de precisão funcional do câncer. Os organoides tumorais derivados de pacientes (PDO - do inglês - Patient-derived organoids) estão entre os modelos desenvolvidos para esta abordagem. Os PDOs são fontes auto-renováveis e de complexidades morfológica e molecular semelhantes ao tecido tumoral original, onde tratamentos individualizados podem ser testados para prever sensibilidade ou resistência a agentes anti-tumorais. O objetivo desta proposta é estruturar o protocolo de produção de PDOs de tumores gastrointestinais e testar, num estudo observacional, sua capacidade preditiva de identificar pacientes respondedores ou não a tratamentos protocolados de acordo com diretrizes estabelecidas. Estes organoides serão produzidos e cultivados ex-vivo a partir de biópsias de pacientes e tratados com quimioterápicos ou drogas alvo aprovados para o tratamento de cada tipo de tumor. A resposta ao tratamento ex-vivo será comparada à resposta do paciente ao tratamento segundo escolha do oncologista. Espera-se encontrar 80% de sensibilidade e especificidade na metodologia. A tecnologia já está descrita em artigos científicos e será aperfeiçoada, validada e escalada na Empresa para oferta no mercado. A validação desta abordagem tem um grande apelo na área oncológica e permitirá que a Empresa estabeleça sua atuação no mercado, escale seus produtos e desenvolva abordagens para outros tumores. Espera-se que estes testes possam ser integrados às decisões terapêuticas impactando no melhor tratamento e menor toxicidade para o paciente e na economia de recursos na área da saúde. (AU)
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