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Carrapatos, Rickettsia e Borrelia: estudos a campo e de laboratório

Resumo

A fauna de carrapatos do Brasil está composta por 77 espécies. Notavelmente, 19 (25%) dessas espécies foram descobertas pela ciência nos últimos 20 anos, despontando o Brasil como o país com o maior número de espécies novas de carrapatos descritas no século 21. Em contraste com os vastos conhecimentos sobre doenças transmitidas por carrapatos no hemisfério Norte, no Brasil estão confirmados apenas dois agentes causadores de zoonoses transmitidas por carrapatos (Rickettsia rickettsii e Rickettsia parkeri, causadoras de riquetsioses do grupo da febre maculosa). Apesar dos crescentes relatos de novos genótipos de bactérias e protozoários infectando carrapatos e mamíferos de diferentes partes do Brasil, tanto o ciclo epidemiológico como o papel patogênico desses agentes permanecem desconhecidos. Uma importante razão para este atraso no conhecimento se deve à indisponibilidade de isolados viáveis desses agentes em condições de laboratório. O presente projeto tem como objetivo geral expandir o conhecimento da diversidade de carrapatos e bactérias dos gêneros Rickettsia e Borrelia no Brasil e da epidemiologia da febre maculosa e borrelioses a partir de infeções experimentais em laboratório. Para tanto, a proposta foi dividida em quatro subprojetos. O Subprojeto 1 objetiva fazer um levantamento da fauna de carrapatos e sua infecção por Rickettsia spp. e Borrelia spp. em uma área da Amazônia ocidental brasileira, de onde recentemente recebemos espécimes imaturos de uma nova espécie de carrapato. Os resultados permitirão descrever mais uma espécie de carrapato para a fauna brasileira e poderão indicar a existência potenciais patógenos associados a carrapatos no bioma amazônico, servindo de alerta para vigilância das doenças transmitidas por vetores na região. O subprojeto 2 avaliará, sob infecções experimentais, o porco doméstico (Sus scrofa) como hospedeiro amplificador da bactéria Rickettsia rickettsii para o carrapato vetor Amblyomma sculptum. Considerando a crescente expansão das populações de javaporcos (S. scrofa) no Sudeste do Brasil, incluindo áreas endêmicas para febre maculosa brasileira, os resultados do presente subprojeto permitirão inferir se estes mamíferos selvagens poderão ter algum papel relevante no ciclo epidemiológico da febre maculosa, podendo evidenciar o risco efetivo dos javaporcos contribuírem para gerar e dispersar carrapatos infectados dentro de suas áreas de distribuição geográfica. O subprojeto 3 avaliará a competência vetorial e perpetuação da infecção por Borrelia venezuelensis nos diferentes estágios do ciclo de vida do carrapato Ornithodoros rudis, a partir de uma colônia de O. rudis encontrada naturalmente infectada recentemente no Brasil. Considerando que B. venezuelensis é reconhecida como um patógeno para humanos, os resultados do presente estudo permitirão inferir se O. rudis poderá ou não funcionar como vetor de B. venezuelensis para humanos no Brasil, assim como o faz em outros países da América do Sul. Em adição, os conhecimentos sobre a perpetuação transestadial e transmissão transovariana de B. venezuelensis em O. rudis, assim como a possibilidade de transmissão horizontal, servirão de subsídios básicos para um melhor entendimento da ecologia desta importante espiroqueta do grupo da febre recorrente no Brasil. Por fim, o subprojeto 4 visa estabelecer o cultivo in vitro de dois novos isolados de Borrelia spp. do grupo da febre recorrente do Brasil, e a partir daí, determinar o genoma dos dois isolados e fazer suas devidas descrições taxonômicas como espécies novas para o Brasil. O cultivo in vitro também permitirá o emprego dos isolados em futuros trabalhos para desenvolvimento de métodos de diagnóstico de febre recorrente no Brasil. (AU)

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