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Células B-1: atividade biológica e importância na implantação e metastatização do melanoma murino experimental

Resumo

Desde que Hayakawa e Hardy (1) identificaram células B-1 há 20 anos atrás, iniciou-se a discussão sobre a origem e função deste subtipo celular. Apesar do grande volume de informações obtidas recentemente na tentativa de elucidar os aspectos fenotípicos, ontogênicos e fisiológicos destas células, pouco é conhecido sobre seu papel na reposta inflamatória. A célula B-1 é um subtipo da linhagem B. São caracterizadas pelas propriedades que têm de autorenovação e produção de IgM autoreativas. São encontradas predominantemente na cavidade peritoneal e pleural. Há evidências da presença de precursores na vida fetal localizados na esplancnopleura, no omento e fígado. É chamada linhagem promíscua por expressar marcadores para células B (B220, IgM), células T (CD5) e macrófagos (Mac-1). Plytycz (2) considera esta infidelidade de linhagem da célula B-1 como a expressão de um fóssil vivo ou uma reminiscência da evolução do sistema imune. Células B-1 são classificadas em dois subtipos. Células B-1a que são CD5+ e derivam de precursores raros ou ausentes na medula óssea adulta, enquanto células do subtipo B-1 b são CD5- e possuem progenitores na medula óssea adulta capazes de reconstituir 50% desta subpopulação celular em animais irradiados quando comparados a animais não manipulados (3). Foi demonstrado que células B-1, principalmente B-1 b, estão presentes no sobrenadante de cultura de células peritoneais aderentes. Além disso, o recultivo destas células induz a expressão de características fenotípicas e fisiológicas de fagócitos mononucleares (4). Quando células B esplênicas são cultivadas na presença de fibroblastos foram caracterizadas como células bifenotípicas B/macrófago (5). Também ficou demonstrado que células B-1 migram para um foco inflamatório específico, aderem ao vidro e diferenciam-se em células fenotipicamente semelhantes a macrófagos (4). Contudo, ainda não está comprovado se a transformação de células B-1 em fagócitos também ocorre in vivo. Assim como, não está esclarecido o papel de fagócitos de origens diferentes na resposta inflamatória. Alguns trabalhos elucidam algumas possíveis funções desta célula na resposta imune. Ficou demonstrado que macrófagos derivados de B-1 produzem PGE2. Além de aumentarem a produção de COX-2 no foco inflamatório (6). Célula B-1 está presente em lesões periodontais (7) e lesões de hipersensibilidade tardia em camundongos (8). Foi também demonstrado que células B-1 desempenham papel central na formação de células gigantes em foco inflamatório induzido por corpo estranho (Bogsan, submetido). Apesar da função das células B-1 ainda não estar definida, pode-se sugerir uma atividade modulatória dessas células sobre a atividade efetora de outras células. Camundongos Xid, uma linhagem que não expressa tirosina kinase de Bruton e não produz células B-1, são mais resistentes à infecção por T.cruzi (9) e P.brasiliensis (Kipinis, comunicação pessoal). Estes dados sugerem que células B-1 tem ação supressora em relação a células efetoras, tais como macrófagos, na resposta imune a parasitas. Esta ação supressora in vitro foi caracterizada. Popi et al (submetido) demonstraram a influência de células B-1 na atividade fagocítica de macrófagos, assim como no seu estado de ativação. Ficou também caracterizado que essa atividade supressora é mediada pela interleucina IL-10. Além disso, ficou demonstrado que células B-1 recultivadas diferenciam-se em fagócitos e preservam a capacidade de modular a atividade de macrófagos. (AU)

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