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Monstros e corpos grotescos: narrativas e ontologias no cristianismo antigo

Processo: 23/04548-2
Modalidade de apoio:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de novembro de 2023 - 31 de outubro de 2025
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Teologia
Pesquisador responsável:Paulo Augusto de Souza Nogueira
Beneficiário:Paulo Augusto de Souza Nogueira
Instituição Sede: Escola de Ciências Humanas, Jurídicas e Sociais (EHJS). Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-CAMP). Campinas , SP, Brasil
Pesquisadores associados: Breno Martins Campos ; César Carbullanca Nuñez ; José Adriano Filho ; Magdalena Diaz Araujo ; Marcio Cappelli Alo Lopes ; Marcus Reis Pinheiro ; Pedro Lima Vasconcellos ; Silas Klein Cardoso
Assunto(s):Cristianismo primitivo  Grotesco  Metamorfose  Apocalipse  Monstros  Narrativa 
Palavra(s)-Chave do Pesquisador:cristianismo primitivo | Grotesco | Literatura apócrifa | metamorfose | monstruosidade | Seres híbridos | Literatura do cristianismo antigo

Resumo

Este projeto propõe a análise de textos narrativos do cristianismo antigo (do século 2º ao 4º), de diferentes gêneros literários (atos apócrifos, apocalipses apócrifos e narrativas sobre os Pais do Deserto), que contêm elementos considerados monstruosos, por meio do que se convencionou chamar de teoria do monstruoso. Definimos o monstruoso preliminarmente como a) o híbrido, o que pertence a duas ou mais espécies, o ontologicamente cindido, e que, portanto, resiste às classificações convencionais e ordenadoras de mundo; b) o segmentado, desfigurado, descontínuo, no caso, o humano no limite do reconhecível, seja desmembrado violentamente, seja fantasmagórico; c) o teriomórfico, o animalesco e o humano em transição, a passagem de um ao outro, em processos metamórficos; d) os andróginos e as transições de papéis de gênero; e, por fim e) os espaços onde se manifestam e se dão essas transições, que as tornam possíveis, como os desertos, as cidades imaginárias, os túmulos, as grutas, os espaços verticalizados do além-mundo. Ao estudar textos com estes elementos e propor o monstruoso como conceito de análise temos como objetivo oferecer uma contribuição dupla para os estudos de religião no Brasil: 1) Analisar modelos narrativos e imagéticos recorrentes provenientes dos grupos subalternos do cristianismo antigo, em torno dos quais foram estruturadas persistentes estruturas imaginárias na história e na cultura. O monstruoso teve na produção literária do cristianismo antigo a função de delimitar identidades, nomeando e classificando o exótico e o estranho, como também, paradoxalmente, oferecer acesso a conexões anímicas profundas, com diferentes modos de existência, evocando um pensamento conectivo e ecológico radical. 2) Apresentar as possibilidades teóricas desse campo de estudos em torno do conceito do monstruoso, com seus conceitos associados de grotesco e de híbrido, para os estudos de religião do Brasil e, em especial, para os estudos bíblicos e de história da religião. Trata-se de um campo conceitual ainda pouco explorado nos estudos de religião do Brasil, que, no entanto, promove uma compreensão complexa das formas de elaboração das narrativas mitopoéticas em que se articulam as fissuras ontológicas, psicológicas e sociais dos sujeitos e comunidades religiosas na história. Estas expressões do monstruoso não se fazem documentar apenas no passado, mas persistem na história e mesmo na contemporaneidade, deslocadas nos discursos religiosos e nas artes.Palavras-chave: monstruosidade, grotesco, seres híbridos, metamorfose, literatura apócrifa, cristianismo primitivo. (AU)

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