Resumo
A incidência do Carcinoma Hepatocelular (CHC) tem aumentado ao longo dos anos em diversos países. No Brasil, em 2020, foram registrados 12.674 casos e 12.139 mortes. Globalmente, foram diagnosticados 905.677 novos casos de CHC em 2020, com uma taxa estimada de mortalidade de 830.180. O CHC é o sexto tipo de câncer mais comum no mundo e a terceira principal causa de morte em termos absolutos. Os principais fatores de risco para o CHC incluem infecções virais, como hepatite B e C, consumo excessivo de álcool, aflatoxinas, e esteatose hepática não alcoólica. Embora a infecção por hepatite esteja diminuindo globalmente, estima-se que a incidência de CHC esteja aumentando devido ao aumento da síndrome metabólica, diabetes e doença hepática gordurosa não alcoólica.Dentre as características distintas de células tumorais citam-se: alta taxa de replicação, evasão do sistema imunológico, capacidade de invasão e metástase, imortalidade, produção de estímulos angiogênicos e reprogramação do metabolismo energético. Essa reprogramação metabólica está ligada a alterações genéticas e interações celulares que levam a mudanças complexas nas vias de metabolismo da glicose, lipídeos e aminoácidos, favorecendo o desenvolvimento e progressão tumoral. Um fenômeno bem caracterizado em células de cânceres é o metabolismo do tipo Warburg (Warburg effect), em que células cancerosas preferem a via glicolítica, mesmo em condições aeróbicas, em vez da fosforilação oxidativa, para atender às suas demandas energéticas e de biossíntese. Além disso, o metabolismo de aminoácidos e lipídios também pode estar alterado no câncer.Atualmente, o tratamento do CHC é desafiador, e as opções terapêuticas são limitadas. A melatonina, uma indolamina lipofílica com efeitos sistêmicos e celulares, tem sido estudada como potencial terapia para diversos tipos de câncer, incluindo o CHC. A melatonina já apresentou efeitos antiproliferativos, anti-inflamatórios, promotores de apoptose e antimetastáticos em células tumorais. Estudos mais recentes têm investigado os efeitos da melatonina sobre a modulação do metabolismo energético das células tumorais, incluindo o metabolismo do lactato, NAD+ e produção de espécies reativas de oxigênio. A associação da melatonina com a cisplatina já foi proposta, no entanto, os mecanismos pelos quais a melatonina atua em sinergia com alguns quimioterápicos clássicos e seu impacto no metabolismo energético de células de CHC ainda não estão completamente esclarecidos. Este projeto de pesquisa tem como objetivo investigar os efeitos da melatonina, isoladamente e em combinação com a cisplatina, em vias metabólicas de células de CHC. Serão analisados níveis de expressão proteicas e atividade enzimática relacionados ao metabolismo energético, bem como os efeitos sobre o status oxidante/antioxidante e mecanismos de morte celular. Além disso, o projeto visa gerar conhecimento aplicável, promover a formação de estudantes e fortalecer a linha de pesquisa sobre metabolismo energético e células tumorais. (AU)
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