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Interferência de microplásticos na ecotoxicidade de contaminantes emergentes: uma abordagem multidisciplinar para avaliação da toxicidade, a transferência trófica e a toxicidade multigeracional

Processo:24/19618-9
Modalidade de apoio:Auxílio à Pesquisa - Projeto Geração
Data de Início da vigência: 01 de fevereiro de 2026
Data de Término da vigência: 31 de janeiro de 2031
Área do conhecimento:Interdisciplinar
Pesquisador responsável:Flavio Kiyoshi Tominaga
Beneficiário:Flavio Kiyoshi Tominaga
Instituição Sede: Escola Paulista de Medicina (EPM). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus São Paulo. São Paulo , SP, Brasil
Município da Instituição Sede:São Paulo
Pesquisadores associados: Ana Carolina Luchiari ; Antonio Carlos Silva Costa Teixeira ; Bruno Fiorelini Pereira ; Fábio Kummrow ; Gisele Giannocco ; Marília Cristina Oliveira Souza ; Patrícia Léo
Assunto(s):Ecotoxicologia 
Palavra(s)-Chave do Pesquisador:behavioral changes | biochemical analysi | Histopathology | microplastic mixture | multigenerational toxicity | trophic transfer | Ecotoxicologia

Resumo

O plástico é um material amplamente utilizado na sociedade contemporânea. Os plásticos convencionais são muito resistentes à degradação; no entanto, o intemperismo ambiental pode levar à fragmentação e à formação de microplásticos (MPs) e nanoplásticos (NPs). Esses materiais são onipresentes no ambiente, podem afetar a biodiversidade e entrar na cadeia alimentar. MPs foram encontrados em diversos organismos humanos e em organismos não-alvo, representando um risco significativo para a saúde pública e ecossistêmica. Diversos efeitos tóxicos foram documentados, incluindo estresse oxidativo, distúrbios metabólicos, respostas imunológicas, neurotoxicidade e toxicidade reprodutiva e de desenvolvimento. Além disso, esses materiais também podem interagir com poluentes orgânicos nocivos, atuando como vetores de poluentes e aumentando seu transporte e distribuição no ambiente. As interações entre microplásticos e contaminantes podem ser influenciadas por fatores como tamanho, tipo de material e envelhecimento. No entanto, os estudos sobre essas interações ainda são escassos e controversos. Entre os poluentes, contaminantes emergentes (CE), incluindo pesticidas, substâncias per- e polifluoroalquil (PFAS) e aditivos plásticos, são frequentemente detectados no ambiente e têm o potencial de causar efeitos adversos ecológicos e/ou à saúde humana. Pesticidas, em particular, são de crescente interesse, já que o Brasil é um importante produtor agrícola, onde aproximadamente 80% dos pesticidas usados não são permitidos em pelo menos três países da OCDE. PFAS são produtos químicos sintéticos usados na indústria e em produtos de consumo, sendo contaminantes extremamente persistentes detectados em várias matrizes ambientais. Além disso, aditivos em plásticos podem ser gradualmente liberados de microplásticos, como o bisfenol A, um desregulador endócrino amplamente presente no ambiente e um aditivo essencial na produção de plásticos. A aplicação de espécies de diferentes níveis tróficos em bioensaios desempenha um papel crucial na compreensão da ameaça ambiental potencial representada pelos diversos poluentes. A alga Raphidocelis subcapitata é um microorganismo sensível, amplamente utilizado para representar ambientes de água doce tanto eutróficos quanto oligotróficos. O cladócero Ceriodaphnia silvestrii é uma espécie comum nas águas doces brasileiras e é recomendado como organismo de teste para estudos ecotoxicológicos. O peixe Danio rerio (zebrafish) é um importante organismo modelo para estudos em vertebrados, facilitando pesquisas em diversas áreas, incluindo toxicologia, bioquímica e genética. Além disso, células de zebrafish podem ser cultivadas a partir de embriões e tecidos adultos. Os testes de toxicidade multigeracional são uma ferramenta valiosa para entender os efeitos a longo prazo dos contaminantes em organismos aquáticos, pois a exposição pode levar a efeitos transgeracionais, onde os impactos dos contaminantes são observados em gerações subsequentes, mesmo após a cessação da exposição inicial. Na literatura, ainda existem poucos estudos relacionados aos efeitos multigeracionais de misturas de microplásticos (MP) e contaminantes emergentes (CE) em organismos não-alvo. Este projeto visa avaliar os efeitos toxicológicos das potenciais interações entre MPs/NPs convencionais e biodegradáveis e diversos contaminantes emergentes de diferentes classes em organismos de diferentes níveis tróficos (algas, microcrustáceos e peixes), avaliando a toxicidade multigeracional e a transferência trófica por meio da ingestão de MPs. Uma abordagem multidisciplinar será aplicada para avaliar parâmetros fisiológicos, histopatológicos, bioquímicos, biomoleculares e comportamentais. Os dados gerados nesse contexto multidisciplinar ajudarão a entender as interações entre misturas de contaminantes ambientais de diferentes classes, auxiliando na avaliação de riscos para a proteção de espécies não-alvo. (AU)

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