Resumo
O iodo é um micronutriente essencial para a síntese dos hormônios tireoidianos (HT), fundamentais para o crescimento e o desenvolvimento embrionário, especialmente do sistema nervoso central. A deficiência severa de iodo durante a gestação e/ou lactação é amplamente reconhecida por causar graves efeitos adversos. No entanto, as consequências da deficiência leve, condição frequentemente observada em gestantes de diversos países, mesmo em regiões consideradas iodo-suficientes, permanecem pouco exploradas. Evidências recentes indicam que a deficiência leve de iodo pode comprometer o desenvolvimento neurológico da prole. Ainda assim, os impactos dessa condição sobre a programação e a função do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide (HHT) e sobre outros tecidos-alvo das ações dos HT precisam a ser elucidados. Neste contexto, o presente projeto colaborativo entre a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordenado pela Dra. Caroline Serrano do Nascimento, e o Instituto de Salud Carlos III (Espanha), coordenado pelo Dr. Antonio De la Vieja, propõe uma abordagem proteômica integrada para investigar alterações moleculares em tecidos componentes do HHT e em tecidos responsivos aos HT em machos e fêmeas provenientes de fêmeas submetidas à deficiência leve de iodo durante a gestação (G) ou gestação e lactação (G+L). A proteômica quantitativa, aliada à espectrometria de massas de alta resolução, permitirá identificar alterações no perfil de proteínas envolvidas na síntese, secreção, transporte e ação dos HTs, além de vias de sinalização, metabolismo energético e estresse oxidativo em diferentes tecidos. Essa abordagem possibilitará delinear assinaturas moleculares associadas à programação diferencial do eixo HHT em machos e fêmeas expostos à deficiência leve de iodo durante janelas críticas do desenvolvimento, revelando possíveis mecanismos compensatórios e/ou vulnerabilidades sexuais. A integração dos dados proteômicos com parâmetros fisiológicos e histológicos dos estudos conduzidos pelo grupo do Brasil, auxiliará a desvendar os mecanismos moleculares e teciduais associados a um desbalanço nutricional sutil, porém frequente, contribuindo para o entendimento da programação de disfunções endócrinas e metabólicas na vida adulta. (AU)
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