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Efeitos de queimadas sobre a baixa atmosfera em ecosistemas de transição cerrado-floresta

Resumo

As queimadas nos trópicos do, Brasil são um evento sazonal. A cada estação seca, que ocorre entre junho e outubro, áreas muito grandes no cerrado são queimadas. O material combustível nesta região é composto de grama, capim, arbustos e pequenas árvores. Estima-se que da ordem de 30% desta região, que é da ordem de 3 milhões de quilômetros quadrados, é afetada pela queimada a cada ano. Em anos recentes, países tropicais foram severamente criticados pela comunidade internacional pela ocorrência de grandes quantidades de queimadas o que se considera uma negligência severa ao meio ambiente. Além da queimada do cerrado, um outro tipo de queimada ocorre nos limites entre cerrado e floresta. Estas são as áreas principalmente afetadas pela necessidade cada vez maior de se obter novas terras para agricultura. Ao contrário das queimadas no cerrado, este tipo de queimada destrói grandes massas de vegetação, em comparação com as queimadas de capim e arbustos no cerrado. Os levantamentos de desflorestamentos de anos recentes mostraram que as taxas de desflorestamento diminuíram no período até 1991, mas recentemente, observou-se novos crescimentos, sendo atualmente da ordem de 13,000 km2 por ano. Seria muito importante que se estabelecesse uma correlação entre desflorestamento e queimadas. O efeito de queimadas sobre a baixa Atmosfera pode ser avaliado pela observação da quantidade de ozônio que é produzida indiretamente na atmosfera. O ozônio é produzido por reações químicas que sempre começam com monóxido de carbono, emitido diretamente pelas queimadas de campo aberto que queimam por combustão incompleta. Como as queimadas acontecem na superfície, seu efeito é também observado primeiramente na superfície. No entanto, as consequências de queimadas acabam espalhando-se por toda a baixa atmosfera. O objetivo desta proposta de pesquisa é documentar a distribuição de gases produzidos por queimadas, especialmente o ozônio, na troposfera dos trópicos do Brasil. Este trabalho deve ser feito nas áreas em que as queimadas são eficientes, e os resultados devem ser correlacionados com as taxas de desflorestamento. Campanhas de campo esporádicas foram feitas no passado, mas ainda não fizemos observações sistemáticas. Propomos uma campanha observacional contínua e sistemática durante dois períodos seguidos de queimadas. Esta proposta focaliza um tema importante em ecossistemas tropicais e oferece uma oportunidade para entender melhor um problema importante do Brasil tropical. (AU)