Resumo
A presente pesquisa busca validar a leitura da constituição e da psicopatologia do laço social por meio de indicadores clínicos, construídos a partir do referencial teórico da psicanálise, e recebendo a contribuição dos campos da Psicologia do Desenvolvimento, da Pediatria, da Psiquiatria, da Educação e da Fonoaudiologia. Partindo da importância que assume, para a Psicanálise, a noção de laço social na constituição do sujeito, pretende-se investigar o uso de indicadores clínicos de risco capazes de: 1) detectar já no primeiro ano de vida a interrupção do laço da criança com a figura materna; 2) permitir o acompanhamento do tratamento de crianças e adolescentes nos quais os transtornos advindos da interrupção precoce do laço já tenham sido instalados. Justifica-se o uso de indicadores clínicos a partir da premissa de que a instalação da subjetividade pode ser verificada a partir dos efeitos indiretos que essa instalação determina. Sub-projeto 1: a partir da teoria psicanalítica, foram desenvolvidos Indicadores Clínicos de Risco para o Desenvolvimento Infantil (IRDIs) observáveis nos primeiros 18 meses de vida da criança. O pressuposto é que esses indicadores clínicos (IRDIs) podem ser empregados por pediatras e por outros profissionais de saúde da atenção básica em consultas nas unidades básicas e/ou centros de saúde e podem ser úteis para detectar precocemente transtornos psíquicos do desenvolvimento infantil. O estudo utilizará um desenho de corte transversal seguido por estudo longitudinal numa amostra de 1000 crianças atendidas na clínica pediátrica nas unidades e/ou centros de saúde públicos em nove cidades brasileiras (totalizando 11 centros). Após três anos de seguimento, as crianças serão avaliadas para a identificação de transtornos psicológicos ou psiquiátricos e verificadas as associações com os IRDIs. Sub-projeto 2: pretende-se verificar os efeitos do tratamento psicanalítico institucional sobre o aumento da circulação social de crianças e adolescentes psicóticos, utilizando-se para isso indicadores clínicos. O tratamento proposto deverá incluir dispositivos de promoção da circulação social, tais como a inclusão e o acompanhamento escolar, o atendimento de pais, o acompanhamento terapêutico e as atividades culinárias, além dos dispositivos tradicionais de tratamento já existentes que visam ao estabelecimento do laço social. Serão acompanhadas 10 crianças com Distúrbios Globais de Desenvolvimento (DGD) atendidas durante os primeiros dois anos do projeto na pré-escola Ttrapêutica lugar de vida do Instituto de Psicologia da USP, e dez crianças nos dois anos seguintes. Ao final de cada período de tratamento, as crianças serão novamente diagnosticadas, utilizando-se os indicadores para marcar as mudanças de posição subjetiva que ocorreram durante o tratamento. (AU)
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