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Questões sobre o poder

Processo: 02/00727-3
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Temático
Vigência: 01 de dezembro de 2002 - 30 de novembro de 2007
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia
Pesquisador responsável:Renato Janine Ribeiro
Beneficiário:Renato Janine Ribeiro
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):03/04064-1 - Política do esquecimento: memória política em democracias com herança autoritária, BP.DR
Assunto(s):Filosofia política  Ética  Poder  Democracia  Poder político  Ética política 

Resumo

Este projeto procura sistematizar pesquisas já beneficiadas com o apoio da Fapesp, bem como deslanchar outras, em torno da hipótese de que as questões políticas estão hoje sofrendo mudanças consideráveis. Assim, conceitos tradicionais como os de soberania, representação e ideologia viram-se postos em xeque. Mas, sobretudo, o poder (político) mudou de sentido e de papel. Por um lado, a política se desgastou, nos últimos tempos. Ela perdeu em importância para a economia. Na década de 1990, ao mesmo tempo que a liberdade política se expandia pelo mundo numa escala sem precedentes, o poder dos governantes eleitos diminuiu, à medida que crescia o do capital internacionalizado. Os dirigentes da economia não são eleitos, não prestam contas e com freqüência nem são identificados. Há, assim, o que poderíamos chamar um disempowerment da política. E há também um enfraquecimento da política em face da ética, que por um certo tempo, talvez por influência do marxismo, parecia ser sua prima pobre. Com a conversão da política em ideologia, a ética não só tem um apelo popular maior do que ela, como seus valores parecem ser mais permanentes e depender menos da conjuntura e de alianças mutáveis. Mais que isso, em muitos países a política é vista como degradada e desonesta, enquanto a ética aparece como portadora de uma nova esperança. É o caso, neste momento, do México, da Argentina, do Brasil, mas também de países desenvolvidos, de I Mundo, como a Itália. Critica-se a política em nome da ética. Mas, por outro lado, este avanço da ética significa que ela se expressa em termos de poder, ou seja, na linguagem que era da política. Conceitos que valiam para a política são transferidos para a ética, como veremos no caso de Maquiável. E uma das tendências mais significativas do final do século XX foi o indivíduo - ou sua reunião em novas sociabilidades, como ONGs ou minorias - passar a ocupar o lugar do príncipe, processo este que se chama empowerment e que confere enorme peso à vontade, ao voluntarismo mesmo, na criação de novos atores políticos e sociais. Podemos, pois, ver dois movimentos paralelos: o desgaste ou disempowerment da política, e a transferência à pessoa dos atributos que eram do poder. A política assim perde poder, tanto para a economia quanto para a ética. Perde o poder real para a economia, e perde seus ideais para a ética. Torna-se então necessário separar a discussão do que é a política, em desgaste, e do que é o poder, que estaria adquirindo novo fôlego. Pretendemos discutir esta questão no âmbito da filosofia política. Nossa metodologia consistirá na leitura de textos de filosofia política, clássicos e atuais, no seu confronto com significantes culturais relevantes, em suma, no cotejamento da melhor teoria disponível na área com acontecimentos que possam ser discutidos à sua luz. Esse método já foi utilizado em nosso livro 'A sociedade contra o social - o alto custo da vida pública no Brasil', vencedor do prêmio Jabuti 2001 de ensaios. E há de resultar em publicações que permitam melhor compreender nosso mundo e, possivelmente, pensar uma filosofia política que leve mais em conta a dissidência, a novidade, a condição periférica de nossa parte do mundo. (AU)

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