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Perfil socioeconômico, crenças, sentimentos e atitudes de familiares doadores e não doadores de órgãos

Processo: 05/02579-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de julho de 2006 - 31 de agosto de 2008
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina
Pesquisador responsável:Fernando Bacal
Beneficiário:Fernando Bacal
Instituição-sede: Faculdade de Medicina (FM). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Doação de órgão  Transplante de órgãos  Análise socioeconômica  Família (psicologia) 

Resumo

A escassez de órgãos para transplante representa um problema mundial. No Brasil, apenas um quinto dos potenciais doadores que chegam às Unidades de Terapia Intensiva (UTI) tornam-se doadores efetivos. As dificuldades residem desde a infra-estrutura precária do sistema de saúde atual, fator particularmente importante nos países em desenvolvimento como o Brasil, até a inadequação dos meios de abordagem das famílias de potenciais doadores. A negativa das famílias representa o principal obstáculo para efetivação do processo de transplante de órgãos. Neste sentido, estudos a partir do ponto de vista psicológico se fazem necessários, pois procurar compreender as crenças, sentimentos, pensamentos e atitudes, bem como a condição sócio-econômica das famílias doadoras e não-doadoras de órgãos, representa um passo fundamental para melhor entender a dinâmica do processo decisório para estas famílias. Assim sendo, este projeto pretende atingir os seguintes objetivos: traçar o perfil sócio-econômico das famílias, identificar os esquemas cognitivos que se estruturam em torno do assunto e descrever as atitudes das famílias ao redor da possibilidade de doação de órgãos. Com base no conhecimento destes aspectos torna-se possível delinear um perfil dos familiares, bem como definir, em meio às suas crenças e sentimentos, fatores preditivos quanto as suas atitudes frente a doação de órgãos quando estão diretamente envolvidos. Ao estudar o processo de doação e transplante de órgãos a partir da perspectiva da família do potencial doador espera-se diminuir o sofrimento destes familiares, aumentar a captação de órgãos e, conseqüentemente, minimizar a angústia de quem espera por um órgão. A caracterização do perfil dos familiares será realizada através de um questionário fechado e entrevista estruturada, aplicados em 100 familiares previamente abordados pela Organização de Procura de Órgãos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O roteiro do questionário e da entrevista foi elaborado através da literatura existente sobre o assunto. A aplicação dos instrumentos será individual, os dados correspondentes à identificação serão anotados e o restante da entrevista será gravada mediante autorização do participante. Primeiramente se realizará um piloto em 5 familiares para testar o instrumento a ser utilizado, a partir disto provavelmente ocorrerão alguns ajustes na metodologia de acordo com as necessidades constatadas. Será realizada uma análise quantitativa e qualitativa dos dados coletados. O caráter objetivo dos instrumentos, bem como a utilização de sistemas de pontuação previamente atribuídos, tornarão viável a análise adequada das informações extraídas utilizando-se o pacote estatístico SPSS. Esta análise, a ser realizada mediante análise de regressão logística, irá avaliar o impacto das diferentes variáveis como: forma de abordagem, perfil socioeconômico, tipo de relação familiar estabelecida, nível de conhecimento, principais crenças, sentimentos e atitudes da família; todas em relação ao processo de tomada de decisão quanto à doação ou não dos órgãos do familiar. Através da análise será possível também identificar quais variáveis terão valor preditivo (positivo ou negativo) para a doação. Assim, os dados coletados poderão servir para a elaborar um instrumento de avaliação psicológica que, após a pesquisa, possa ser utilizado como ferramenta a serviço das Organizações de Procura de Órgãos com o intuito de oferecer um caráter mais humanizado à abordagem minimizando o sofrimento daqueles que estão diretamente envolvidos no processo de tomada de decisão e contribuindo com o aumento do número de doações de órgãos. (AU)