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Estudo da função monocitária e do estresse oxidativo sistêmico no hipertireoidismo

Processo: 05/04407-1
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de novembro de 2006 - 31 de março de 2009
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina
Pesquisador responsável:Virginia Berlanga Campos Junqueira
Beneficiário:Virginia Berlanga Campos Junqueira
Instituição-sede: Escola Paulista de Medicina (EPM). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus São Paulo. São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Clínica médica  Endocrinologia  Glândula tireoide  Hipertireoidismo  Antioxidantes  Estresse oxidativo 

Resumo

A tireóide secreta principalmente dois hormônios (T3 e T4) com funções idênticas, diferindo apenas quanto à rapidez e intensidade de sua ação. A secreção desses hormônios pela tireóide é controlada pelo hormônio tireo-estimulante (TSH). Uma baixa secreção do hormônio pela tireóide, resultando em taxa de metabolismo basal abaixo do normal, é conhecida como hipotireoidismo, enquanto que o excesso de secreção do hormônio, que pode fazer com que a taxa do metabolismo basal se eleve acima do normal, é denominado hipertireoidismo (HPT). A ação do hormônio tireoidiano (HT) nos tecidos-alvo leva a um aumento da capacidade oxidativa celular, associado à ativação da bomba de sódio-potássio. O aumento da capacidade oxidativa celular pode levar a um distúrbio no balanço pró-oxidante/antioxidante, em favor do primeiro, levando a uma condição de dano potencial, denominada estresse oxidativo (EO). A literatura mostra um aumento no EO sistêmico no HPT tanto em humanos como em modelos animais, caracterizado pelo aumento de produtos da peroxidação de lipídios no plasma e urina e decréscimo da defesa antioxidante plasmática e eritrocitária. Além disso, há um aumento na função de neutrófilos no HPT humano e animal. A ativação de células fagocíticas leva a um aumento no consumo de oxigênio e subseqüente liberação de espécies reativas, fenômeno conhecido como "burst" respiratório, que contribui para o estresse oxidativo. Os níveis séricos de algumas interleucinas (IL-6 e IL-8) também se correlacionam positivamente com os níveis séricos de T3 e T4 no HPT humano. As modificações metabólicas observadas no HPT desaparecem após alguns meses de tratamento com propiltiouracil, ao mesmo tempo que se normalizam os níveis hormonais. Em trabalhos anteriores do nosso grupo, EO hepático foi observado em ratos hipertireoídeos, concomitante a uma hiperplasia das células de Kupffer. Uma vez que monócitos do sangue periférico são precursores dos macrófagos residentes nos tecidos e que existe correlação entre componentes das vias inflamatórias e níveis hormonais no HPT, o presente projeto dedica-se ao estudo da função de monócitos circulantes e sua relação com o EO sistêmico em pacientes hipertiroídeos, comparados a indivíduos sadios. Serão convidados a participar deste estudo 60 pacientes, com idades de 20 a 90 anos de idade, triados pelo ambulatório de Endocrinologia da UNIFESP, sendo 30 hipertiroídeos segundo seus níveis circulantes de T3, T4 livre e TSH e 30 pacientes tiroidectomizados no tratamento de câncer de tireóide e que recebem HT suficiente para manter seus níveis de TSH normais ou levemente acima do normal. Um grupo controle de 30 voluntários normais será pareado por sexo e idade. De cada paciente será obtido: hemograma completo, glicemia em jejum, colesterol total e frações, triglicérides, TGO, TGP e PCR. Não serão incluídos no estudo indivíduos com, tireotoxicose súbita, processos inflamatórios agudos, fumantes e pacientes com histórico prévio de doença cardiovascular severa, doença hepática, HIV+, doenças renais, diabetes tipo I ou II, hipertensão não controlada e abuso de álcool ou drogas. Os participantes também não devem reportar uso regular de antiinflamatórios, aspirina ou suplementos vitamínicos ou fazer uso de reposição hormonal nos últimos dois meses. O EO será avaliado pelos parâmetros: concentração plasmática de produtos da peroxidação de lipídios e de proteína oxidada e, níveis plasmáticos dos antioxidantes alfa-tocoferol, beta-caroteno, licopeno, ubiquinol-10, vitamina C e ácido úrico, todos por HPLC. A função monocitária será avaliada: pela expressão basal de HLA-DR, CD11b e CD18 na superfície de monócitos, pela produção intracelular das citocinas IL-1 alfa, IL-6 e TNF-alfa em resposta a estímulo com LPS e pela oxidação de DCFH, também em resposta a estímulo com LPS, ensaios estes realizados por citometria de fluxo. (AU)