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Percepção das elites sulamericanas sobre o impacto das desigualdades sociais na democracia

Resumo

Este projeto dá continuidade a uma linha de pesquisa já consolidada no Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP (NUPRI), referente ao estudo das percepções das elites latino-americanas sobre temas específicos. O presente projeto pretende retomar essa linha de pesquisa, contando agora com a colaboração de competências formadas pela USP, muitas delas pelo próprio NUPRI, mas que estão atuando igualmente em outras instituições de ensino e pesquisa, notadamente o Laboratório de Estudos de Caso em Relações Internacionais da Universidade São Marcos. A pesquisa integrará grupos de pesquisas de outros países da América Latina, dando origem à Rede Latino-Americana de Políticas Regionais. O estudo proposto neste projeto buscará, de forma comparada, avaliar as percepções das elites de diferentes países latino-americanos acerca das desigualdades social, cultural e étnica, e sua relação com a questão democrática. Enfatizará, particularmente, o apoio que diferentes diagnósticos e alternativas de políticas conseguem mobilizar junto aos vários setores da elite dos países selecionados para essa pesquisa, que serão indicados abaixo. O estudo comparado das percepções das elites latino-americanas sobre a desigualdade social e suas relações com a questão da Democracia é particularmente relevante por vários motivos. Em primeiro lugar, cabe ressaltar a herança comum compartilhada por todos os países da América Latina no que diz respeito às desigualdades sociais e à vulnerabilidade das instituições políticas. De fato, no cenário mundial contemporâneo, os países latino-americanos representam um exemplo vivo dos limites que um quadro crônico e não superado de desigualdades sociais extremas colocam para a questão democrática. Entretanto, uma dimensão muitas vezes negligenciada nesse diagnóstico é a dimensão regional. Os anos recentes foram testemunhas de uma crescente articulação de diferentes setores das elites latino-americanas a respeito dessas questões. Articulação essa que vem ganhando corpo em todos os setores e matizes ideológicos dessas elites, mas que tem seu ponto de inflexão mais forte justamente junto aos grupos porta-vozes dos interesses dos movimentos sociais. Em segundo lugar, é preciso não perder de vista que, nos dias atuais, mais do que no passado, o sucesso de políticas de longo alcance visando à superação do quadro de carências sociais dos países latino-americanos passa, necessariamente, pela articulação de um consenso regional. Muitas das políticas de superação do atraso, inclusive com relação ao meio-ambiente, dependem da cooperação regional para ser bem sucedidas. Como o horizonte dessas políticas é longo e muito maior do que o de qualquer governo, sua manutenção, nas próximas décadas, condiciona-se radicalmente ao grau de consenso e convergência nas elites a respeito do acerto dessas políticas, de sua relevância e probabilidades de sucesso. Com relação à luta pela defesa da democracia, a história recente da América Latina é pródiga em exemplos de como políticas regionalizadas de defesa da Democracia foram decisivas para a sobrevivência desse regime em diferentes países. Recentes ações concertadas regionalmente para salvaguardar a relativa estabilidade institucional em países como Peru, Equador e Paraguai, são exemplos mais relevantes desse processo. A pesquisa proposta neste projeto permitirá, portanto, avaliar em que medida a Democracia encontra suporte junto aos diferentes setores das elites dos países latino-americanos, qual o grau de efetividade que esses setores atribuem à democracia no que diz respeito à resolução da questão social, assim como estimar quais políticas teriam maior apoio no âmbito das elites, para a superação da desigualdade, e quais delas encontrariam maior oposição junto às elites latino-americanas. (AU)

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