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José Feliciano de Castilho e a tradição clássica no séc. XIX

Resumo

Buscando contribuir com a divulgação de traduções lusófonas dos clássicos greco-romanos e com a recepção desses textos em nossas letras, este projeto procurará inventariar, estudar e divulgar os estudos sobre temas clássicos e a obra tradutória de José Feliciano de Castilho, focalizando principalmente a sua tradução da PHARSALIA, de Lucano. Castilho José, como era chamado nos meios jornalísticos e literários de seu tempo, foi um distinto luso-brasileiro que viveu no Rio de Janeiro de 1847 até sua morte em 1879. Ele produziu uma obra vastíssima de filólogo, latinista e tradutor de latim como bem testemunham as edições comentadas dos quinhentistas Fernão Mendes Pinto e João de Lucena, os estudos sobre a obra de Camões e Bocage, os comentários a Virgílio e Ovídio, além das traduções de excertos de Propércio, Virgílio, Marcial e Lucano. A investigação da obra de Castilho José - e a recepção lusófona dos autores clássicos de um modo geral - pode nos proporcionar um intercâmbio de mão dupla entre o passado e o futuro. Por um lado, estudar as traduções e interpretações de autores da Antiguidade constitui um trabalho de arqueologia dos saberes clássicos no nosso passado literário, com a finalidade de compreender como os textos traduzidos contribuíram na forma e no conteúdo para a formação da nossa literatura. Por outro lado, essa investigação propicia um trabalho de garimpo - a metáfora da mineração não é vã - de matrizes tradutórias que possam servir de paradigma aos contemporâneos exercícios de tradução dos autores antigos. A tradução de Castilho José da PHARSALIA, de Lucano, importante epopéia da antiguidade clássica ainda inédita em português, foi publicada em jornais da época imperial e, desde então, jaz esquecida nos acervos da Biblioteca Nacional de Rio de Janeiro e do Real Gabinete Português de Leitura. Excertos dessa tradução são louvados e citados por figuras do porte de Joaquim Manuel de Macedo e Machado de Assis, o que mostra a importância da investigação e disponibilização desse texto, não apenas pelos valores intrínsecos da obra latina e da versão portuguesa, mas também para o estudo do ambiente literário dessa profícua época da literatura brasileira. Paralelamente a esse trabalho com a PHARSALIA, serão coletados também outros estudos e traduções de autores antigos levados a cabo por Castilho. (AU)