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Avaliacao da dor em cavalos no pos-operatorio de artroscopia.

Processo: 07/58719-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de maio de 2008 - 30 de abril de 2009
Área do conhecimento:Ciências Agrárias - Medicina Veterinária - Clínica e Cirurgia Animal
Pesquisador responsável:Luis Cláudio Lopes Correia da Silva
Beneficiário:Luis Cláudio Lopes Correia da Silva
Instituição-sede: Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Dor  Artroscopia  Equinos 

Resumo

As manifestações de dor, em sua grande maioria, são mal interpretadas ou ignoradas em medicina veterinária, e por este motivo não existia há até pouco tempo uma justificativa para a prevenção ou tratamento adequado da dor. Alguns sinais de dor como: sons, mudanças comportamentais ou gestuais podem passar desapercebidos por profissionais da área, mas devem ser levados em consideração para possíveis intervenções no pós-operatório. Neste estudo foram utilizados 20 eqüinos encaminhados para cirurgia artroscópica junto ao Serviço de Cirurgia de Grandes Animais da FMVZ-USP. Estabeleceram-se protocolos de avaliação da dor nos pacientes, associados a tratamento pós-operatório. Os animais foram divididos aleatoriamente em dois grupos, onde no grupo 1 (GM) foi aplicado morfina na dosagem de 10 mg, por via intra-articular, ao término do procedimento artroscópico e no grupo 2 (GF) administrou-se fenilbutazona na dose de 4.4 mg/kg, por via intravenosa, uma vez ao dia, durante três dias. Dez eqüinos, dos Departamentos de Clínica Médica e de Cirurgia da FMVZ-USP, formaram o grupo controle para dosagem sérica de cortisol e substância P no líquido sinovial. Nos animais do grupo controle não foi realizado procedimento artroscópico. Os parâmetros observados para avaliação de dor foram: grau de claudicação, resposta à palpação local, escala numérica visual (ENV), escala facial de dor, mensuração de freqüência cardíaca, freqüência respiratória, concentração sérica de cortisol e mensuração de substância P no líquido sinovial. A análise dos resultados baseou-se na comparação entre os grupos e entre os diferentes momentos da avaliação. Dentro do grupo de animais tratados com morfina, 3 animais apresentaram dor representada por dificuldade de apoio do membro, diminuição do apetite e expressão de dor no momento 7, sendo instituída terapia analgésica adicional, desconsiderando-se os dados após esse momento. Não houve diferença estatística na análise do cortisol entre os grupos, apesar de haver variações entre os diferentes momentos. Na mensuração de substância P no liquido sinovial houve diferença entre o pré operatório e 48 horas após o procedimento cirúrgico, além de diferença entre os grupos, indicando valores médios menores no GF comparado ao GM. Quando observamos os parâmetros de palpação local, ENV, e escala facial de dor, foi coincidente o aumento da dor 4 horas após a cirurgia, sendo que na análise entre os grupos, notou-se melhor resposta analgésica no GF comparativamente ao GM no tratamento da dor dos animais submetidos à cirurgia artroscópica. A avaliação comportamental, a mensuração da concentração de cortisol e da substância P foram essenciais para complementar o exame físico habitualmente realizado no período pós-operatório, como freqüência cardíaca e respiratória. Podemos observar que os parâmetros supracitados são confiáveis e bons indicadores do estado em que se encontra o paciente, tendo ocorrido alterações significativas em determinados momentos, onde os animais foram expostos a estímulos dolorosos durante o procedimento ou nos casos onde não houve resposta à terapia pós-operatória para controle da dor, havendo necessidade de protocolo adicional. Dosagens superiores de morfina para uso intra-articular devem ser testadas para que se possa substituir de forma confiável a administração de analgésicos por via sistêmica em protocolos terapêuticos de pós-operatório de cirurgias artroscópicas. (AU)