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Significados psicossociais da perda urinária para trabalhadoras de condições socioeconômicas menos favorecidas: Um estudo Clínico-Qualitativo

Resumo

Introdução: Atualmente tem se investigado com maior freqüência a vivência da incontinência urinaria (IU) pelas mulheres mais velhas, provavelmente pela maior prevalência após a menopausa, no entanto, a alteração psicossociais parece ser expressiva em todas as faixas etárias e os aspectos simbólicos demonstram ser diferentes de acordo com a faixa etária e dos significados da IU. Para mulheres com mais de 60 anos, os sentimentos da IU associam-se à idéia de que se trata de fenômeno inevitável em conseqüência da idade mais avançada e de implicações de partos havidos e descrevem como processo do tipo degenerativo. Entre jovens e da meia idade, é visto como um descontrole pessoal com a perda das propriedades saudáveis do corpo; percebem esse fenômeno como não aceitável para a vida social e culpada pela repulsa do grupo e abandono da sociedade. Há evidências de implicações psicológicas na vivência familiar, profissional e lazer. Restringe o contato sexual por se sentirem pouco atraentes ante uma evidência da perda da auto-estima ressaltada pelo medo de sofrer rejeição, culpa por não sentir prazer ou desejo e perder urina durante o orgasmo. Entretanto, freqüentemente as mulheres desvalorizam o sintoma quando o incômodo causado pela IU é pequeno ou têm constrangimento em relatar seu problema a um profissional, omitem no convívio familiar e geralmente sofrem em silêncio. Por outro lado, a postura de alguns profissionais da saúde pode causar inibição e impedir que a mulher expresse suas queixas e as atitudes e, as atitudes desses profissionais são notavelmente barreiras para que as pessoas busquem ajuda. No que tange as práticas de enfermagem, se faz necessário adotar medidas para diminuir ou eliminar essas barreiras e promover a continência com enfoque educativo que privilegie discussões abertas, durante as quais as mulheres possam relatar e compartilhar suas vivências e sentimentos. Objetivo principal: Interpretar significados psicossociais da perda urinária atribuídos por mulheres incontinentes, trabalhadoras de condições socioeconômicas menos favorecidas de um hospital de ensino da cidade de Campinas. Objetivos específicos: Interpretar os significados simbólicos sociais do corpo e a procura por tratamento para a perda urinária relacionados às condições socioeconômicas menos favorecidas. Interpretar os significados simbólicos psicológicos da sexualidade e do corpo na vivência da perda urinária. Sujeitos e Método: Será utilizado o Método Clínico-Qualitativo abrangendo duas áreas metodológicas de extrema complexidade: dos conhecimentos clínico-psicológicos psicanalíticos das relações interpessoais e das concepções epistemológicas do método qualitativo a partir das ciências humanas, ou seja, método compreensivo/interpretativo que permitirá que sentimentos e necessidades humanas sejam mostrados e compreendidos, uma vez que privilegia a escuta da fala do sujeito com suas riquezas de expressões e entonações emocionais e a observação do comportamento através de sua linguagem não-verbal. O recorte da amostra será de mulheres do serviço de higiene e limpeza, entre 20 a 45 anos, com história de perda urinária, nunca ter procurado tratamento para IU e que pertencem a um grupo socioeconômico menos favorecido tanto em relação à faixa salarial como educacional dentre os servidores da instituição onde será realizada a pesquisa. O tamanho da amostra será estabelecido pelo critério de amostragem por saturação; será empregada a técnica da Entrevista Semidirigida de Questões Abertas. Análise dos dados: Os dados serão tratados pela técnica de Análise Qualitativa de Conteúdo e apresentados de forma descritiva, tratadas interpretativamente e os escritos contendo citações literais ilustrativas. Visando à compreensão dos significados da perda urinária atribuídos pelas entrevistadas, para a discussão, será utilizado, como quadro de referenciais de ancoragem, teorias da sociologia e conceitos básicos extraídos das teorias psicológico-psicanalítica. (AU)

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