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Mobilidade social e inserção política: imigrantes e o poder local

Processo: 08/06239-7
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de outubro de 2008 - 30 de novembro de 2010
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Outras Sociologias Específicas
Pesquisador responsável:Oswaldo Mario Serra Truzzi
Beneficiário:Oswaldo Mario Serra Truzzi
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):09/14334-2 - Levantamento de dados sobre as eleições junto aos periódicos,instituições da justiça eleitoral e biografias de lideranças das comunidades étnicas de imigrantes ou de representantes eleitos, BP.TT
Assunto(s):Poder local  Coronelismo  Mobilidade social  Clientelismo 

Resumo

Este trabalho se vincula à tradição de estudos interessados em investigar padrões de mobilidade de uma camada social específica - imigrantes e seus descendentes - no interior de uma determinada estrutura social - o oeste paulista. Desde o final do século 19, essa região floresceu impactada pelo desenvolvimento da economia cafeeira, capitaneada pelas oligarquias agrárias tradicionais que dominavam, em cada município, a política local.A partir dos anos 30, ocorrem alterações significativas na condução da política local no interior paulista. A ampla crise da agricultura alterou a composição rural e urbana dos municípios, minou o velho esquema de autoridade dos coronéis que dominavam o poder local, favorecendo a ascensão política de estratos sociais não diretamente ligados ao latifúndio cafeeiro.Nos quadros da velha república, a participação de imigrantes ou de descendentes em cargos formais de representação da política partidária havia ocorrido de modo muito restrito, seja porque este campo constituía território reservado a camadas sociais mais favorecidas, seja porque os imigrantes não tinham nem interesse e nem condições para tal.Por causa da crise de 1929, o setor agrário perde importância, sua estrutura resulta menos concentrada, ao mesmo tempo em que novos interlocutores políticos ganham impulso. Entre eles, ressalte-se o fortalecimento das Associações Comerciais e Industriais locais e dos sindicatos, onde passam a militar indivíduos de origem imigrante, que haviam se fixado no meio urbano, ora como pequenos industriais e comerciantes, ora como operários e empregados.A renovação política foi também favorecida por mudanças institucionais promovidas ao longo dos 15 anos do governo Vargas, empenhado em ampliar e diversificar as lideranças locais. A instituição do voto feminino em 1932, do voto secreto em 1934, e os novos contornos da reformulação eleitoral e partidária, arejaram o cenário político local, abrindo espaço para a ascensão de camadas médias urbanas da sociedade.Não obstante alguns traços de continuidade, o ideário modernizante da Revolução de 30 abriu novas funções ao estado, e isso requeria quadros preparados e prontos para executar programas de ação nos mais variados setores da vida pública, e não mais apenas as antigas e restritas funções públicas, na bitola do próprio tamanho das elites tradicionais.O Estado Novo, instaurado em novembro de 1937, só fez reforçar tal tendência. Ao longo do período ditatorial, a centralização e modernização do Estado promovida por Vargas, acompanhada de uma grande ampliação de suas agências e autarquias, e da nova estrutura sindical, ecoaram nas estruturas políticas do município, redefinindo novos postos de poder burocrático-administrativo, novos canais de acesso e de influência na articulação de interesses agora mais variados.Por fim, tal reorganização do poder local culminou, a partir de 1945, com uma expressiva participação política de novos agentes, muitos deles descendentes de imigrantes que haviam conquistado prestígio nos municípios. Assim, ao ocorrer a redemocratização do pós-guerra, a recomposição das elites teve que contar com o influxo crescente de descendentes de imigrantes.Em seu conjunto, a perda de prestígio do setor agrário, a urbanização e a industrialização crescentes, a par das mudanças institucionais já mencionadas, transformaram o jogo político local, alterando os canais de mobilidade social e econômica e estimulando a competição política. A política se transmuda e adquire foros de uma atividade autônoma, com profissionais especializados em disputar o voto do eleitor, e cujos interesses não necessariamente correspondem à expressão econômica que detêm no município, como na época dos coronéis do café.Nosso interesse é, pois, investigar a entrada de imigrantes e de seus descendentes no campo específico de representação política local, entre os anos 20 e 50, em 5 municípios de porte médio do interior paulista. (AU)