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Infecção por Mycobacterium tuberculosis em pacientes submetidos a transplante autólogo e alogênico de células-tronco hematopoiéticas no Instituto de Oncologia Pediátrica - IOP/GRAACC/UNIFESP

Resumo

O Brasil, apesar de dispor de centros de excelência que realizam transplante de células tronco-hematopoiéticas (TCTH), tem também um alto coeficiente de tuberculose. A incidência em nosso país é de 47 para cada 100.000 habitantes, apresentando 111.000 casos novos por ano, causando cerca de 6.000 óbitos anuais. Pacientes submetidos a TCTH, à medida que voltam a ser introduzidos na sua comunidade têm, portanto, um risco aumentado de se infectar pelo M. tuberculosis, se comparados à população transplantada de outros países. Entretanto, o diagnóstico da infecção nesses indivíduos se reveste de maior complexidade pela sua imunodeficiência, constituindo, por outro lado, um grande risco, especialmente se a reconstituição imunológica pós-transplante ainda não tiver ocorrido de maneira satisfatória. Recentemente foi lançado ensaio comercial que testa a infecção por M. tuberculosis através de avaliação da produção de interferon-gama in vitro por células específicas para antígenos do bacilo tuberculoso. Já testado amplamente em diversas populações, o ELISPOT tem a vantagem de ser mais específico e sensível que a prova tuberculínica. A maior sensibilidade é algo desejado quando se avalia um paciente imunossuprimido, pois é conhecido que o teste de PPD pode ser negativo em pacientes imunodeprimidos, mas infectados pelo Mycobacterium. Além disso, ele dispensa o retorno do paciente no prazo de 48 a 72 horas, necessário quando se utiliza a prova tuberculínica.Pretendemos realizar um estudo transversal de investigação de infecção por M. tuberculosis entre 80 indivíduos submetidos a TMO no Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP) da UNIFESP há pelo menos 12 meses. O grupo controle será constituído de 80 indivíduos de idade semelhante aos transplantados e que se enquadrarem em uma das seguintes categorias: doadores de TMO ou irmãos de pacientes do Serviço de Oncologia Pediátrica. Os indivíduos que concordarem em participar realizarão, no momento de sua visita rotineira ao IOP, os seguintes exames: avaliação através de dados de história e exame físico; radiografia de tórax, bem como avaliação de outros sítios, em caso de suspeita de comprometimento extra-pulmonar; teste cutâneo para tuberculose; coleta de sangue para avaliação de perfil fenotípico (reconstituição imune de células T, B, NK e T regulatórias) e de ELISPOT para tuberculose. Os resultados deste trabalho indicarão a freqüência de infecção por M. tuberculosis entre os indivíduos submetidos a TCTH em nosso meio e as suas manifestações clínicas. Poderão também fornecer subsídios que indiquem a introdução da técnica de ELISPOT em nosso meio como método auxiliar no diagnóstico de infecção por M. tuberculosis em grupos de riscos como são os pacientes transplantados de células tronco-hematopoéticas. (AU)