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Recuperacao de solo salinizado em ambiente protegido com producao intensiva de hortalicas folhosas

Resumo

O cultivo em ambiente protegido é um sistema de produção agrícola especializado que fornece proteção em relação a alguns fenômenos climáticos otimizando o aproveitamento dos insumos de produção e o controle de pragas e doenças. Com essas vantagens têm-se ganho na produtividade e diminuição na sazonalidade da oferta, com redução de riscos e mais competitividade pela possibilidade de se oferecerem produtos de mais qualidade o ano todo. Por outro lado, o cultivo protegido tem elevado custo para sua implantação, bem como necessidade de conhecimento multidisciplinar para que os manejos do solo, da adubação e das plantas sejam bem feitos e se obtenha sucesso. Devido ao uso de insumos sem conhecimento técnico, os agricultores preocupados em garantir elevada produtividade, fazem uso de elevadas quantidades de fertilizantes (química e ou orgânica), promovendo, em vários casos, após três anos de exploração, a salinização dessas áreas, inviabilizando seu uso. Além do sistema de adubação utilizado (convencional ou fertirrigação) e da fonte do nutriente (química e ou orgânica), o processo de salinização no cultivo protegido é agravado quando se cultivam plantas de ciclo rápido (50 dias aproximadamente), como a alface, adubadas pelo agricultor a cada novo plantio, sem utilização de análise química de solo para como referência. Assim, são comumente verificados, em estufas agrícolas salinizadas, teores de sais considerados elevados nos solos em geral. A troca de local da estrutura (estufa agrícola), bem como a substituição do solo no seu interior, prática comum na região de Almeria, na Espanha, são opções aos cultivos seqüenciais, porém muito onerosas e inviáveis para produtor brasileiro. Uma alternativa para a melhoria das condições químicas (salinização) e físicas do solo dentro das estruturas de ambiente protegido e com custo mais acessível ao produtor do que a mudança do local da estrutura, pode ser a realização de pelo menos um cultivo com plantas reconhecidas como extratoras de nutrientes, isso é, com capacidade para produção de quantidade adequada de fitomassa e de absorção de nutrientes e que possam ser retiradas da área de seu cultivo após o termino do mesmo. Dessa forma, dentre inúmeras opções, a crotalária júncea (Crotalaria juncea L.) e o milheto (Pennisetum glaucum L.) são espécies que podem ser utilizadas para essa finalidade. Outra opção mais acessível em termos de custo ao produtor para resolução do problema pode ser o uso do gesso agrícola. Assim os objetivos e metas do presente estudo são: a) Verificar o efeito da utilização de espécies vegetais com capacidade de extração de nutrientes em quantidade excessiva no solo e de gessagem na viabilidade de recuperação de solo salinizado e compactado em ambiente protegido (estufa agrícola), que foi degradado com produção intensiva de alface; b) Verificar a capacidade de extração de nutrientes de duas espécies de plantas de cobertura, num período reduzido de cultivo (aproximadamente 70 dias); c) Verificar alterações em atributos químicos (teores de nutrientes e matéria orgânica) e físicos do solo (compactação, estabilidade de agregados) em função dos tratamentos aplicados; d) Monitorar por três ciclos de cultivo a produtividade e outros atributos fitotécnicos da cultura da alface, após a aplicação dos tratamentos. (AU)