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Imprensa periodica e circulacao de modelos socio-pedagogicos: experiencias de educacao libertaria em portugal no limiar do regime republicano (1911-1919).

Processo: 08/00129-5
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de maio de 2008 - 30 de abril de 2010
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Educação - Fundamentos da Educação
Pesquisador responsável:Luiz Carlos Barreira
Beneficiário:Luiz Carlos Barreira
Instituição-sede: Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa. Universidade de Sorocaba (UNISO). Sorocaba , SP, Brasil
Assunto(s):História da educação 

Resumo

A circulação de saberes e modelos que orientam práticas sócio-pedagógicas (ou que delas emanam) é o eixo temático em torno do qual se move o trabalho de pesquisa que vimos desenvolvendo nos últimos anos. Nele, são investigados saberes e modelos que se depreendem das práticas sociais de formação do trabalhador urbano no Brasil e em Portugal no início do século XX. No interior desse campo, projetos pedagógicos não-institucionalizados, concebidos, desenvolvidos e implantados de acordo com os interesses das classes trabalhadoras têm sido privilegiados, sem se perder de vista, entretanto, as relações historicamente construídas entre esses e os demais projetos (institucionalizados ou não) voltados para a formação do trabalhador urbano. O termo formação é aqui tomado no seu sentido mais amplo, que abarca um vasto universo de práticas e saberes que vão desde os primeiros aprendizados informais, obtidos pelo sujeito por meio de sua experiência imediata, seja no convívio com a família, seja com os grupos sociais dos quais participa, até os mais formais, proporcionados pela educação escolar. Práticas e saberes que aos poucos vão moldando, por assim dizer, a condição de ser social do trabalhador.O intento da pesquisa é investigar os processos de formação dos trabalhadores urbanos no terreno da história social. Nesse terreno, a imprensa vem sendo compreendida e pesquisada como prática social e momento de constituição e instituição de diferentes modos de viver e pensar (Cf. Heloísa de Faria CRUZ, São Paulo em papel e tinta: periodismo e vida urbana - 1889-1915, São Paulo, Educ, 2000, p. 20). No Brasil, em fins do século XIX, "os jornais da imprensa operária rompem com o monopólio dos setores dominantes sobre a palavra impressa, trazendo para o interior da cultura letrada as contradições de classe da cidade em desenvolvimento do ponto de vista dos dominados" (Ibidem, p. 128). Assim, no movimento de construção do campo da pesquisa, a imprensa periódica operária fez-se um dos principais suportes documentais da problemática investigada.Nos estudos que realizamos sobre a imprensa operária brasileira do início do século XX (projeto de pesquisa desenvolvido entre 2002 e 2005 e intitulado Escola, periodismo e vida urbana: educação popular e imprensa operária em São Paulo (1888-1925)), não são poucas as evidências que vinculam o movimento operário brasileiro ao europeu, seja no que diz respeito à circulação, no Brasil, de revistas e jornais operários editados em Portugal, Itália e Espanha, seja no que diz respeito à participação (direta e indireta) de intelectuais europeus (portugueses, italianos e espanhóis, principalmente) no movimento operário brasileiro.Em missão de trabalho em Portugal, localizamos e consultamos alguns dos impressos portugueses que circularam no Brasil naquele período. Também compilamos informações sobre a atuação de intelectuais portugueses e brasileiros no movimento operário e sindical português daquele período, fornecidas por pesquisadores portugueses que investigam ou investigaram o assunto. Com base nos resultados desses estudos e na análise, ainda que inicial e parcial dos materiais trazidos de Portugal, elaboramos um plano de estudos para a realização de um estágio pós-doutoral em Portugal. Nesse estágio, privilegiamos o levantamento, a reprodução (fotocópia e digitalização) e o fichamento de parte significativa da imprensa periódica portuguesa de educação e ensino voltada para a educação popular, de uma forma geral, e para a educação operária, em particular.O projeto de pesquisa ora apresentado dá seqüência às investigações que vimos desenvolvendo desde então sobre a formação do trabalhador urbano no limiar da modernidade capitalista, desta feita privilegiando a análise de alguns dos periódicos localizados nas hemerotecas portuguesas, tais como Lúmen (1911-1913), Educação (1913), Cultura Popular (1919) e Boletim da Escola Oficina Nº.1 de Lisboa (1918). (AU)