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Avaliação do perfil de expressão de genes modulados por TNF e melfalano em culturas mistas de células endotelias, células de melanoma e macrófagos

Processo: 10/10493-6
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de setembro de 2010 - 31 de agosto de 2012
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina
Pesquisador responsável:Vladmir Cláudio Cordeiro de Lima
Beneficiário:Vladmir Cláudio Cordeiro de Lima
Instituição-sede: Hospital A C Camargo. Fundação Antonio Prudente (FAP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Oncologia  Neoplasias embrionárias de células germinativas  Melanoma  Progressão da doença  Expressão gênica  Fator de necrose tumoral alfa  Antineoplásicos  Melfalan 

Resumo

O melanoma é a neoplasia originada dos melanócitos e seus sítios primários incluem: pele, úvea, mucosas e leptomeninges, sendo a pele o sítio mais comum (90%). Sua incidência tem aumentado nas ultimas décadas. No Brasil, a estimativa é de 5.930 novos casos em 2010, sendo 1990 casos no estado de São Paulo. O risco de morte é maior nos pacientes com melanoma detectado em fase tardia, com 5 a 10% de sobrevida em 5 anos e sobrevida mediana de 6 a 9 meses no estágio IV. Nos últimos 30 anos, essa sobrevida não tem mudado e a droga mais empregada no tratamento é a dacarbazina (DTIC), com taxas de resposta entre 5 a 20% e sobrevida livre de progressão de doença de 1,5 a 1,6 mês, sem ganho em sobrevida global. Para melhorar esses resultados, diversas estratégias têm sido estudadas e empregadas. A imunoterapia, que visa à eliminação do tumor por estimulação da resposta imunológica do hospedeiro, utiliza a interleucina-2 (IL2) e interferon (IFNA), oferecendo respostas objetivas em torno de 17%, mas também sem ganho em sobrevida global. Outra estratégia, a bioquimioterapia combina quimioterapia com imunoterapia, havendo maior taxa de resposta em relação a quimioterapia ou imunoterapia isoladas, mas sem acréscimo em sobrevida. Dois a 10% dos melanomas avançados de extremidades se manifestam como recorrência loco-regional, permanecendo confinada ao membro. As opções de tratamento padrão neste tipo de recorrência incluem a excisão cirúrgica ou ablação por eletrodissecção, crioterapia ou laser de CO2. Em alguns casos a amputação se faz necessária pela extensão do comprometimento. Uma alternativa menos mórbida é a perfusão isolada de membro (isolated limb perfusion - ILP), poupando o membro da amputação ao oferecer agentes anti-neoplásicos em altas doses através do membro, após canulação dos vasos que o irrigam, atingindo concentrações locais do quimioterápico 30 vezes maiores que a administração sistêmica. O melfalano (MEL) e o fator de necrose tumoral (TNF) são as drogas mais empregadas nesse tratamento, com respostas objetivas variando entre 48 a 95%. O melfalano é um agente quimioterápico alquilante bifuncional, que age formando ligações cruzadas com as bases nitrogenadas do DNA, interferindo nos processos de síntese e replicação. O TNF é uma citocina de ação pleiotrópica com atividade anti-tumoral em algumas linhagens tumorais por efeito citotóxico direto ou por dano da vasculatura tumoral.Um estudo de nossa instituição (Doutorado de Vladmir C. C. Lima) buscou a identificação dos alvos moleculares da ação do MEL e do TNF no melanoma e foi determinado o perfil de expressão gênica do melanoma cutâneo em resposta ao tratamento com essas drogas. Foi identificado, empregando-se a técnica de oligonucleotide microarray, um conjunto de genes cuja expressão foi modulada no melanoma após tratamento com MEL, TNF e MEL+TNF, num modelo tumoral in vivo murino. A administração de MEL promoveu menor velocidade de crescimento tumoral e isso não foi modificado pela co-administração de TNF. O tratamento com MEL ou MEL+TNF esteve associado com aumento da sobrevida livre de progressão. Dentre os genes cuja expressão foi modulada pelos tratamentos estão Arhgef6, Pard3, Fabp4, Flt1, Ifi202b e Igf2bp3. Esses genes tem papel crucial em várias etapas da tumorigênese (proliferação, adesão, migração, apoptose e angiogênese). O melanoma é constituído de células neoplásicas e estromais (fibroblastos, endotelio, macrófagos e linfócitos). Hoje, sabe-se que macrófagos tumorais são maestros da inflamação no microambiente tumoral e estudos clínicos os associam à progressão tumoral, daí a importância deles como alvo terapêutico. Sabe-se também que a angiogênese é um evento crítico para a progressão tumoral e metástase. Nesse contexto, as células endoteliais podem expressar muitos genes, além de adquirir anormalidades, tornando-se resistentes a quimioterápicos.A melhor compreensão desses processos, pode permitir subsídios para tratamentos menos tóxicas e mais eficazes. (AU)