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Avaliação do potencial terapêutico do carvedilol como nefroprotetor na quimioterapia com cisplatina: estudos de eficiência e interferência na atividade antitumoral

Resumo

A cisplatina (cis-diaminodicloroplatina II) é um dos mais efetivos agentes anticâncer, entretanto seu uso clínico é altamente limitado, predominantemente devido ao seu potencial nefrotóxico. Muitos estudos demonstram que a nefrotoxicidade da cisplatina está diretamente relacionada ao acúmulo de espécies reativas de oxigênio e à morte celular por apoptose. A terapia adjuvante com antioxidantes tem sido sugerida como estratégia de proteção dos tecidos saudáveis contra a toxicidade induzida pela cisplatina, sendo que a eficácia de vários antioxidantes tem sido demonstrada em diferentes modelos experimentais. Entretanto, a maioria destes compostos que se mostraram promissores com relação à citoproteção não foram testados em modelos experimentais de tumores e não há ainda um consenso sobre o impacto da terapia antioxidante na atividade anticâncer da cisplatina. Além disso, não há dados suficientes sobre o efeito de muitos destes compostos sobre a saúde humana, sendo que muitos deles são drogas modelo, potencialmente tóxicas e, portanto, não passíveis de uso em humanos; outros podem apresentar atividade pró-oxidante em determinadas condições e agravar os danos oxidativos aos tecidos.Em nossos estudos anteriores, realizados em ratos saudáveis, demonstramos que o carvedilol protege eficazmente contra a mitocondriopatia renal induzida pela cisplatina (Carvalho Rodrigues et al. 2010) devido principalmente à sua potente capacidade antioxidante, não estando este efeito associado à formação de complexos com a cisplatina (Chemico-Biological Interactions, under review). Vale ressaltar que o carvedilol é um fármaco de uso seguro, já empregado clinicamente como anti-hipertensivo, sendo bem tolerado pelos pacientes. Em conjunto, essas características fazem do carvedilol um fármaco bastante promissor como agente nefroprotetor na quimioterapia com cisplatina. Assim, o presente estudo tem por finalidade dar continuidade aos nossos achados iniciais, avaliando desta vez a capacidade nefroprotetora do carvedilol, bem como a sua influência na atividade antitumoral da cisplatina, utilizando um modelo experimental clássico de tumor (Sarcoma 180 em camundongos). A presente investigação fornecerá dados imprescindíveis para uma futura utilização do carvedilol com esta nova finalidade terapêutica (nefroproteção). (AU)