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Desenvolvimento industrial de surfactante pulmonar de origem animal

Processo: 05/60543-1
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Programa Pesquisa para o SUS - PITE
Vigência: 01 de maio de 2006 - 30 de abril de 2009
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Bioquímica - Química de Macromoléculas
Convênio/Acordo: CNPq - PPSUS
Pesquisador responsável:Isaias Raw
Beneficiário:Isaias Raw
Instituição-sede: Instituto Butantan. Secretaria da Saúde (São Paulo - Estado). São Paulo , SP, Brasil
Empresa: Ministério da Saúde (Brasil). Sistema Único de Saúde (SUS)
Município: São Paulo
Instituição parceira: Ministério da Saúde (Brasil). Sistema Único de Saúde (SUS)
Assunto(s):Surfactantes pulmonares  Desenvolvimento industrial 

Resumo

A Síndrome do Desconforto Respiratório Neonatal (SDR) é causada por deficiência de surfactante pulmonar ao nascimento. Entre os fatores de risco para a ocorrência da deficiência de surfactante ao nascimento destaca-se a prematuridade. A SDR afeta 50% dos recém-nascidos com idade gestacional entre 26 a 28 semanas e 20 a 30% com 30 a 31 semanas de idade. A partir da década de 90, o uso do surfactante exógeno como parte da terapêutica da SDR tomou-se uma realidade. Em virtude da natureza complexa de sua produção e comercialização, o surfactante exógeno utilizado no Brasil é adquirido no exterior a um custo bastante elevado. Neste pano de fundo, o projeto inovador de um surfactante pulmonar nacional com desenvolvimento de tecnologia básica e de produção pelo Instituto Butantan (PI 9900436-4) gerou um produto ao alcance do orçamento público (cerca de 35% do custo do surfactante importado comercializado) e fez com o Ministério da Saúde se decidisse a financiar a produção dos lotes necessários para o ensaio clínico (Estudo Multicêntrico), envolvendo 33 instituições do Maranhão ao Rio Grande do Sul iniciado em 25/04/2005, com previsão de término em 18 meses, e posteriormente adquirir até 200.000 doses para distribuir gratuitamente o surfactante a todas as maternidades públicas. Os dados já colhidos neste ensaio usando o surfactante comercial como controle, credenciam o encaminhamento do registro do produto. A proposta agora encaminhada solicita recursos que nos permitam continuar a estudar e implantar a produção em escala industrial e ao mesmo tempo desenvolver novas pesquisas visando o aprimoramento do surfactante e correlatos, adquirindo o conhecimento necessário para gerar tecnologia e produto. Assim, propomos neste projeto o desenvolvimento de versões de surfactante disponíveis em 4 a 5 anos que apresentarão novas composições como o surfactante básico acrescido da proteína hidrofílica SP-A, a mais importante proteína hidrofílica do exudato, uma colectina, paráloga ao componente C1q com papel no combate a infecção. O seu isolamento por um processo industrial permitirá ampliar o uso do surfactante, em particular para adultos com infecção pulmonar daí a solicitação do apoio para desenvolvimento de processos de obtenção desta proteína nesta escala. Ensaios em andamento para uso do surfactante em adultos com infecção pulmonar grave (hoje limitado pelo preço) são também bases de novos desenvolvimentos com a incorporação de proteínas, inibidores de proteases (um inibidor de elastase tipo serpina), ou enzimas (superóxido dismutase e catalase) que contribuirão para inibir lesão pulmonar por atividade proteolítica ou por ação dos radicais livres. Um ponto fundamental também a ser discutido é que além da sua produção de interesse social assegurar o efeito fundamental de reduzir a mortalidade neonatal com o surfactante de primeira geração ou surfactante básico (fosfolipídios e proteínas hidrofóbicas SP-B e SP-C), estamos propondo uma nova família potencial de produtos que atenderão não apenas o tratamento de prematuros, mas também de adultos com síndrome de deficiência respiratória, cuja demanda seria imensa caso ocorra uma pandemia de influenza como a de 1918, prevista para esta década por especialistas da WHO. A produção de surfactante é o início de uma linha de produtos biológicos não vacinais para o Butantan, que incluem hemoderivados, hormônios, e interferon alfa. É importante salientar que estes novos produtos são a soma das atividades de pesquisa e desenvolvimento do Centro de Biotecnologia com 25 doutores, mestres e estudantes de pós-graduação, juntamente com a Divisão Bio-Industrial com 300 técnicos de nível superior e médio, destes 50% hoje empregados da Fundação Butantan juntamente com parceiros da iniciativa privada e/ ou pesquisadores das Universidades. (AU)