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História de maus tratos na infância e adolescência e alterações do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA) em diferentes subtipos de depressão em adultos

Processo: 10/20168-5
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de março de 2011 - 31 de agosto de 2013
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Psiquiatria
Pesquisador responsável:Mario Francisco Pereira Juruena
Beneficiário:Mario Francisco Pereira Juruena
Instituição-sede: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP). Universidade de São Paulo (USP). Ribeirão Preto , SP, Brasil
Auxílios(s) vinculado(s):11/50616-2 - Mineralocorticoid receptor polymorphism and function in patients with depression and early life stress, AP.R
Assunto(s):Violência contra o menor  Depressão 

Resumo

Crescentes evidências indicam que o abandono, a negligência e o abuso na infância e adolescência são fatores de risco para transtornos psiquiátricos. Estudos tanto em animais como em humanos sugerem que o estresse nas fases iniciais de desenvolvimento pode induzir alterações persistentes na capacidade do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA) em responder ao estresse na vida adulta levando a uma maior suscetibilidade à depressão. A hiperatividade do eixo HPA, caracterizada por uma hiperativação de CRH (Hormonio Corticotrofico), feedback negativo reduzido e hipercortisolemia tem sido um achado constante em depressão maior. Essas anormalidades parecem estar relacionadas às mudanças na capacidade dos glicocorticóides circulantes em exercer seu feedback negativo na secreção dos hormônios do eixo HPA por meio da ligação aos receptores de mineralocorticóides (MR) e glicocorticóides (GR) nos tecidos do eixo HPA. No entanto, devido a grande variedade de estressores, assim como os diferentes subtipos de depressão, os achados dos estudos atuais têm sido inconsistentes, sendo assim, tornam-se necessários mais estudos para que se possa elucidar os mecanismos envolvidos na ligação entre maus tratos na infância e o desenvolvimento de psicopatologias depressivas na vida adulta. O papel central do MR para a regulação do eixo HPA com o genótipo variante MR I180V SNP é associada com aumento do cortisol tendo um efeito específico sobre sintomas depressivos, independente da função cognitiva. Recentemente, descobriu-se que os portadores do polimorfismo I180V MR tiveram escores mais altos de sintomas depressivos, quando comparados aos não-portadores. Objetivo: O objetivo deste estudo será avaliar a associação entre maus tratos (abuso físico, sexual, negligência ou estresse precoce) na infância e alterações especificas do eixo HPA e da função dos receptores RG e RM nos diferentes subtipos de depressão. Metodologia: Serão recrutados três grupos: um grupo de pacientes com história de maus tratos na infância e/ou negligencia e/ou estresse precoce e com diagnóstico atual de episódio depressivo; um grupo de pacientes sem história para maus tratos na infância e/ou negligencia e/ou estresse precoce e com diagnóstico atual para episódio depressivo e um grupo de controles saudáveis. Os pacientes serão avaliados pela Entrevista Clínica Estruturada para Transtornos de Eixo I do DSM-IV (SCID-CV); para o diagnóstico de depressão, para a avaliação da gravidade do quadro serão utilizadas as Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton e o Inventário de Depressão de Beck II. Será utilizado também o Inventário de Ansiedade de Beck, o Inventário de Suicídio de Beck e a Escala de Desesperança de Beck. A presença de história de maus tratos, negligência e abuso na infância será confirmada através da aplicação do Questionário Sobre Traumas na Infância (QUESI). O estudo será controlado por placebo, cego por parte dos controles e pacientes, não randomizado com desenho de medidas repetidas previamente utilizado, onde os efeitos de corticóides como a Fludrocortisona (0.5 mg), a Prednisolona (5 mg), a Dexametasona (0.5 mg) e a Espironolactona (200mg) serão avaliados no cortisol salivar, em pacientes e em controles saudáveis. Este é um protocolo de 10 dias de coleta endócrina, seguidos as medicações e o placebo acrescidos de 2 dias de intervalo entre a administração de uma droga e outra. A secreção de cortisol salivar será avaliada ao despertar em todos os sujeitos, após terem tomado no dia anterior às 22h: uma cápsula de placebo, Fludrocortisona, Prednisolona, Dexametasona e Espironolactona. O cortisol salivar será coletado ao despertar, 30 e 60 minutos, nos dias seguintes após os desafios. Amostras de saliva e plasma vão ser coletadas após o jejum noturno em cada dia após a administração de Fludrocortisona, Prednisolona, Dexametasona e Espironolactona. a fim de medir o cortisol plasmático e salivar, ACTH, AVP, aldosterona e e DHEA-S. (AU)