Busca avançada
Ano de início
Entree

Dicursos Identitários em Torno da Música Popular Brasileira

Processo: 08/05571-8
Modalidade de apoio:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros
Vigência: 01 de setembro de 2008 - 31 de agosto de 2009
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia
Pesquisador responsável:Renato José Pinto Ortiz
Beneficiário:Renato José Pinto Ortiz
Instituição Sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Sociologia da cultura  Estado-nação  Música popular  Globalização  Cultura popular  Identidade 
Palavra(s)-Chave do Pesquisador:cultura popular | Estado Nacional | Globalização | Identidade | música popular | Sociologia da Cultura

Resumo

A música brasileira foi marcada, durante quase todo século XX, por sua ligação com a identidade nacional, num momento em que nação correspondia a um Estado e a um Povo determinados, sendo que as relações entre esses três elementos e o resto do mundo se davam a partir da oposição interno/externo. Com o processo de globalização, esses três elementos têm suas ligações quebradas e a identidade nacional passa a ser forjada em um ambiente complexo, no qual o Estado continua atuando, mas agora em meio a outros atores globais que influem em tal forjamento. Assim, em um espaço global, a relação de forças que se apresenta na conformação dessa identidade é modificada. Do mesmo modo, os interesses que mobilizam a identidade nacional não mais são os mesmos, pois não se atêm à formação de um corpo simbólico homogêneo dentro de fronteiras, mas se voltam para a inserção (de produtos, pessoas, culturas, etc) além das fronteiras.O trabalho a que nos dedicamos tem como ponto de partida mostrar como foi o processo de formação da música brasileira como símbolo identitário nacional, tendo como foco as décadas de 1910/20/30. É com este período que contrapomos o objeto principal do trabalho, qual seja, a ressignificação da identidade nacional a partir da inserção da música brasileira no espaço global. Para tanto, temos como corpo de análise os discursos feitos em torno desta música em referência a questões identitárias, discursos esses encontrados em mídia estrangeira, projetos de exportação de música, catálogo de música e encartes de discos. A partir dessa pesquisa, podemos aclarar um cenário no qual a identidade nacional se encontra em uma situação de tensão com outras identidades, sendo que essas se tornam símbolos hierarquizados, articulados conforme interesses de mercado. Se, de um lado, vemos uma aura libertária das identidades - valorizadas nesse momento e, portanto, capazes de pressionarem a abertura de significado da idéia de identidade nacional - de outro vemos o mercado hierarquizando tais identidades, incluindo algumas, excluindo outras e dando valor a todas. Com isso, é bem verdade que vemos surgir possibilidades de identificações diversas na geração de sentido social, que vamos denominar, ao lado da identidade nacional, de identidades mundial e restritas. Contudo, também notamos que as forças para a adequação individual ou coletiva a essas diversas identidades são distribuídas desigualmente. Em um cenário capitalista num nível global - no caso da música dominado por uma indústria cultural complexa, formada por instâncias tecnológicas e fonográficas, e por ideologias bem fincadas, que buscam estabelecer uma aura de democratização cultural - a alguns indivíduos e grupos é exigida a fixidez identitária enquanto para outros é oferecida a múltipla identificação. Se hoje a mobilidade é fator positivo de diferenciação (uma exigência do processo de globalização) a desigualdade está dada. Ademais, como a legitimidade da mobilidade na globalização transpassa para as identidades, são aquelas com maior capacidade de se inserirem no espaço global e, portanto, se adaptarem aos padrões hegemônicos, que terão maior valor em um mercado mundial de símbolos. É isso o que vemos na música ao pesquisá-la a partir da questão da identidade. Os artistas que se inserem no mercado mundial devem lidar de um lado com a sua própria capacidade de se moverem entre identidades e de outro com o valor que sua identidade, condicionado pela indústria, possui. Possibilidades libertárias e opressoras estão lançadas em um mesmo tabuleiro. Contudo, as peças do jogo não têm a mesma força para todos. (AU)

Matéria(s) publicada(s) na Agência FAPESP sobre o auxílio:
Matéria(s) publicada(s) em Outras Mídias (0 total):
Mais itensMenos itens
VEICULO: TITULO (DATA)
VEICULO: TITULO (DATA)