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Dos céus e da terra: astrologia judiciária e relatos sobre a terra no século xvi novo hispano.

Resumo

Neste estudo nos dedicamos à análise do dialógo entre as fontes documentais Historia de los índios de la Nueva España, do frei Toríbio de Motolinia, Historia General de las cosas de la Nueva España, do frei Bernardino de Sahagún, e Historia Eclesiástica Indiana do frei Gerónimo de Mendieta, e a ciência natural do século XVI. Neste sentido analisamos dois conjuntos temáticos: a narrativa sobre o sistema calendário nahua, denominada pelos autores acima como astrologia judiciária, e a descrição do entorno natural da região do Altiplano Central Mexicano. Em relação à hipótese principal desta pesquisa, acreditamos que o relato contido nas Historias missionárias reflete concepções estruturadas no panorama epistemológico europeu quinhentista. O conhecimento deste período era formado por questões do mundo natural que se entrelaçavam aos elementos da religião cristã e às práticas reverenciadas pela tradição mágico-adivinhatória. Assim, ao apresentar o sistema cognitivo do século XVI, acreditamos esclarecer posições e atitudes dos relatos missionários aqui analisados que tradicionalmente são abordados por uma história que prioriza seus aspectos religiosos. Outra hipótese deste trabalho propõe que estas narrativas atenderam, ainda, aos objetivos pré-estabelecidos por seus autores, sendo estes fundamentados em seus respectivos projetos evangelizadores em relação às comunidades indígenas da Nova Espanha. Dentre as conclusões mais importantes quanto à análise das fontes documentais acerca do conhecimento sobre os corpos e fenômenos celestes e o cômputo temporal nahua, destacamos nestas narrativas a valorização do calendário sazonal em relação ao ciclo adivinhatório. A condenação ao Tonalpohualli - calendário adivinhatório nahua - se relacionou ao fato de este ter sido considerado uma arte adivinhatória, sendo apresentado pelos missionários como astrologia judiciária. A valorização do calendário sazonal indígena ainda se ateve a outros objetivos evangelizadores. O interesse na identificação das permanências idolátricas poderia encontrar um valioso instrumento, se as datas exatas das festividades pagãs fossem conhecidas pelos religiosos. Assim, o conhecimento deste cômputo teria a finalidade de estipular os dias das cerimônias religiosas indígenas com a intenção em averiguar sua permanência no período colonial. A partir da análise das Historias missionárias em relação à descrição da paisagem natural do Vale do México e dos elementos da superfície terrestre, averiguamos que os religiosos se interessaram por temas que se interligavam aos problemas cotidianos, como as inundações e o vulcanismo. O mundo natural foi apresentado a partir de concepções de cunho utilitário, providencial e organicista. Quanto à descrição sobre os metais, pedras preciosas e fósseis notamos uma preocupação em apresentar suas propriedades terapêuticas, concepção esta pautada pelo universo mágico-adivinhatório europeu, mais especificamente pela astrologia. O interesse pelo poder destes elementos em curar algumas enfermidades se conecta ao panorama histórico daquele período, pois muitas epidemias devastavam as populações americanas, atingindo também os espanhóis. (AU)

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