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A Análise Institucional do Discurso como analítica da subjetividade

Processo: 09/15263-1
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros
Vigência: 01 de dezembro de 2009 - 31 de outubro de 2010
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Psicologia
Pesquisador responsável:Marlene Guirado
Beneficiário:Marlene Guirado
Instituição-sede: Instituto de Psicologia (IP). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Discurso  Instituições  Subjetividade  Psicanálise 

Resumo

Este livro (originalmente escrito como tese de Livre-Docência) visa à sustentação teórico-conceitual da análise institucional do discurso como método de pesquisa em psicologia, bem como estratégia de pensamento para intervenções concretas junto a outras instituições e mesmo na clínica psicanalítica. Tal sustentação será feita pela definição de um objeto à psicologia, aproximado da psicanálise (as relações do modo como são imaginadas e simbolizadas pelos que as fazem), e pela interface desta psicologia, assim definida, com a sociologia da análise de instituições concretas, a lingüística pragmática da análise do discurso francesa e o pensamento de Michel Foucault a que ambas se relacionam, de alguma forma. Da sociologia, tomamos o conceito de instituições como práticas ou relações sociais que se repetem e se legitimam, na ação mesma de seus atores; são seus efeitos de reconhecimento e desconhecimento, no plano das representações, que dão o caráter de legitimidade, de naturalidade, ao que é instituído (Guilhon Albuquerque). Da análise do discurso francesa, os conceitos de gênero de discurso, comunidade discursiva e cena enunciativa permitem pensar a linguagem como discurso e, este, como ato de fala cujo sentido só se pode apreender pelo contexto em que se produz, pelo dispositivo social que o matricia (D. Maingueneau). De Foucault, a concepção de discurso como ato, como instituição, que circula e que é, ao mesmo tempo, alvo de relações de poder, coloca-se como a maquinaria de produção de saber, de verdades e de subjetividades. A análise institucional de discurso que aqui propomos é uma estratégia de pensamento que se sustenta na interface desses campos conceituais. Esse método tem se organizado em mais de vinte anos de estudos, pesquisas, e atuações com diferentes setores ou instituições sociais. Sua característica fundamental, portanto, é a de fazer psicologia na fronteira com outras áreas do conhecimento. Consideramos a psicologia, de partida, uma instituição do conhecimento e da prática profissional, que, na ação de seus atores, onde quer que ela se dê, reconhece certos procedimentos e conhecimentos, não como relativos ao seu modo de produção, mas como naturais e legítimos; nisso, define um âmbito de ação e um objeto como próprios. Para que pudéssemos fazer a psicologia na pesquisa, na clínica e junto a outras instituições sociais, como análise institucional do discurso, configuramos (por recorte, entre tantos possíveis, dada a diversidade de psicologias que se anunciam como tal) um objeto que a aproximasse da psicanálise, com base no campo conceitual que constituímos. Assim, passamos a considerar o objeto institucional da psicologia, as relações tal como imaginadas e simbolizadas pelos que as fazem, desde o início, vida a fora. Foram dedicados estudos aprofundados aos autores aqui nomeados, para que se demonstrasse a pertinência teórica da referência a eles. Mais: de acordo com o momento e situação discutida, foram reapresentados, parcialmente, dois escritos de responsabilidade da autora da presente tese, para que se justificasse com mais consistência o método proposto. Mas, a demonstração de sua sustentabilidade se faz também pelas pesquisas recentes que o atestam. (AU)