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D. Luís: peregrino de impérios

Processo: 09/17647-1
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros
Vigência: 01 de março de 2010 - 28 de fevereiro de 2011
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História do Brasil
Pesquisador responsável:Teresa Maria Malatian
Beneficiário:Teresa Maria Malatian
Instituição-sede: Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (FCHS). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Franca. Franca , SP, Brasil
Assunto(s):Biografias  Brasil República 

Resumo

Em 26 de janeiro de 1878 nascia em Petrópolis o segundo filho da princesa Isabel e Gastão d'Orléans, conde d'Eu. "Filho do meio" , entre o primogênito d.Pedro de Alcântara e o caçula d. Antônio, d.Luís revelou desde muito cedo dedicação às letras, que resultou nas diversas obras publicadas sobre suas viagens e participação na Primeira Guerra Mundial. Além disso, e o principal para este livro, direcionou-se à ação política no movimento restaurador no Brasil entre 1907 e 1920, data de seu falecimento.Após a proclamação da República, grandes transformações atingiram a família imperial brasileira, que passou a residir na França. Nesse contexto d.Luís acabou por assumir a posição de príncipe imperial e manifestou-se ao longo de vários anos publicamente no Brasil a favor da restauração do trono. Entre seus empreendimentos nesta direção, destacou-se a tentativa de entrada no Brasil em 1907, quando tentou romper o bloqueio do banimento imposto a sua família pelo decreto 78-A emitido pelo governo provisório da República, em 1889. A viagem frustrada do neto de D.Pedro II foi amplamente noticiada pelos jornais e o episódio alcançou grande repercussão nos meios políticos. Os vivas à Monarquia retiravam a família imperial do esquecimento para colocá-la novamente no centro das atenções. Ao estabelecer contatos com os militantes do movimento monarquista, com quem a família exilada mantivera contato desde o 15 de novembro, avaliava as possibilidades do movimento restaurador. No ano seguinte, assumiu o papel de príncipe imperial, em decorrência da renúncia do irmão mais velho, d.Pedro de Alcântara, à posição dinástica. Sua figura jovem, com formação militar, seu interesse pelo Brasil e pela política valeram-lhe ser apontado por Martim Francisco Ribeiro de Andrada como o "príncipe perfeito", o primeiro desde a queda da Monarquia a declarar-se pretendente ao trono.Neste trabalho coloca-se em pauta a vida e a atuação política de d.Luís, numa retomada do tema do monarquismo durante a Primeira República, pouco estudado pela escassa historiografia sobre o tema. Objeto de diversos artigos publicados em jornais e revistas, nunca d.Luís foi biografado na extensão de toda sua vida. Sua atuação constitui ainda tema lacunar, inclusive porque a reação dos monarquistas brasileiros aglutinados no Diretório do Rio de Janeiro aos seus atos nem sempre foi de aceitação. Saídos dos revezes sofridos pelos golpes e pelo apoio a revoltas desde o 15 de novembro, especialmente em 1900, 1902 e 1904, em 1907 estavam desmobilizados. Porém outro núcleo do movimento restaurador , o Diretório Monarquista de São Paulo, procurava agregar militantes em torno da causa em refluxo. D.Luís tornou-se seu principal interlocutor em uma parceria que envolveu lideranças importantes como Martim Francisco Ribeiro de Andrada.A ação do príncipe deu-se no sentido de reerguer o movimento mediante propaganda e alianças políticas, notadamente com Hermes da Fonseca. Em 1909, lançou seu primeiro manifesto com a intenção de retomar a propaganda da causa e fundar novos centros de militantes. Por esta razão, vários foram os apelidos que recebeu. Príncipe perfeito ou perfeitíssimo, disse Martim Francisco; príncipe socialista, rebateu Gilberto Freyre; príncipe viajante, disseram muitos. Para o movimento monarquista, o d.Sebastião brasileiro, o esperado restaurador do Império. Chama a atenção um tema de sua plataforma política, a menção ao chamado problema operário, parte de um projeto de governo monárquico atualizado aos tempos, em lugar da defesa da mera reprodução do Império de d.Pedro II. A proposta de uma monarquia amparada em legislação social revela um observador atento da sociedade de sua época. A defesa da federação permitiu articulações com a dissidência oligárquica. (AU)