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Terra-mar: escrita, cinema, política, educação - litorais em psicanálise

Resumo

Os quinze textos reunidos no livro "TERRA-MAR: ESCRITA, CINEMA, POLÍTICA, EDUCAÇÃO - LITORAIS EM PSICANÁLISE" compõem uma reflexão sobre o escrito e a relação da psicanálise com outros campos de saber - a literatura, o cinema, a política e a educação. No início do livro, o texto que chamamos "exórdio" propõe uma chave de leitura: o "litoral" entre saber e gozo. "Litoral" é um "enigma literário" proposto por Jacques Lacan no texto "Lituraterre" (1971), que freqüentemente é usado para figurar a relação da psicanálise com outros campos de saber. No que concerne às práticas artísticas - literatura, cinema - a noção de "Litoral" se determina como um saber-fazer (uma técnica, um estilo) com certa materialidade (o escrito, a imagem, o som...) - em última instância, um saber-fazer com o corpo do artista. Assim, na primeira parte do livro (Psicanálise e Cinema), o texto de R. Goldenberg interroga alguns elementos de técnica/ estilo que desestabilizam o limite entre verdade e verossimilhança - o próprio dispositivo ideológico do cinema; M.T. Lemos explora o "litoral" suscitado entre duas interpretações/ cortes alternativos de um filme; e S. Telles traz uma visão compreensiva sobre o saber-fazer teórico chamado de "psicanálise aplicada". Na segunda parte (Psicanálise, escrita e literatura), N. Leite explora as determinantes de saber e gozo no estilo ("literatura em falta") de Melville, voltado para a invenção de um personagem excessivo (Bartleby); F. Trocoli tenta circunscrever, em três narradores brasileiros, a dispersão que uma "palavra-buraco" introduz no foco narrativo; e Milán-Ramos explora a tensão ("casamento infernal") entre uma escrita "psicológica" (psicobiografia) e o saber-fazer freudiano no (de)ciframento literal. No que concerne às práticas políticas e educativas, "Litoral" se determina como a tensão entre dois registros da subjetividade: (i) a subjetivação enquanto campo de efeitos do significante (identificação, fantasma etc.); e (ii) o sujeito enquanto inscrição da letra, resquício/ resistência de materialidade não-assimilável pelo simbólico e que acaba constituindo-se em obstáculo ao fluxo de sentido. Assim, na terceira parte (Psicanálise e política), o "testemunho" e a clínica psicanalítica se determinam como verdadeiras "práticas de litoral", em tempos de recepção da "herança inglória das catástrofes" (P. Endo; M. Debieux); em tempos em que a "banalidade do mal" se prolonga na prática burocrática que concebe a cultura como mercado (Ch. Dunker). Na quarta parte (Psicanálise e educação), o amor (Behares), a sexualidade e a agressividade (Costardi; Fontes) são os "excessos" que desbordam os dispositivos simbólicos que sustentam as práticas educativas na modernidade. Estes textos são precedidos por uma conferência do psicanalista francês Michel Plon, denominada "Do sujeito em questão". Enraizado na atualidade do debate político, esse texto reflete sobre a resistência que a psicanálise opõe à ideologia pragmatista. O livro encerra-se com a conferência "A máquina barroca", de Alcir Pécora. À diferença dos anteriores, esse texto não se constrói sobre referências à teoria psicanalítica. Acompanhando seu movimento retórico, seu valor de contraste surge quando percebemos que não solta nem por um instante o fio do regime de saber e gozo que caracteriza o barroco histórico, constituindo nele mesmo a experiência de produção do objeto pelo estilo - uma demonstração de que "litoral" é uma prática de estilo. (AU)

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