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Relações de trabalho, condições de vida e subjetividade: entre o trabalho dividido e o trabalho em cooperação

Resumo

O estudo da relação trabalho-condição de vida vem sendo realizado, predominantemente, em organizações formais capitalistas urbanas, públicas ou privadas, organizadas sob o princípio da heterogestão. No contexto da proliferação das organizações de trabalho cooperado e autogestionário, é importante avaliar o potencial que elas possuem para contribuir na solução de problemas relacionados ao desemprego, à miséria e ao desenraizamento social. Na macrorregião de Ribeirão Preto-SP, uma das regiões agrícolas mais importantes do país, a consequência mais nociva da reestruturação produtiva é o desemprego estrutural e a precarização do trabalho, resultante do processo de inovações tecnológicas e organizacionais em curso, especialmente no setor sucroalcooleiro. A sociedade regional vem discutindo alternativas de geração de emprego e renda destacando-se, entre elas, a retomada da discussão e a ação dos movimentos sociais organizados em favor da reforma agrária, como forma de garantir as condições de existência dos trabalhadores rurais. Utilizando o referencial da epidemiologia social, pretende-se estudar as relações que se estabelecem entre mudanças nas relações de trabalho, condições de vida e subjetividade entre os trabalhadores rurais do assentamento Sepé Tiarajú, localizado na macrorregião de Ribeirão Preto-SP. Por meio de pesquisa bibliográfica e documental, da realização de entrevistas semiestruturadas individuais e coletivas, de observações participantes e da organização de grupos de discussão e seminários, objetiva-se especificamente: 1) caracterizar o perfil sociocultural das famílias, em termos de origens, trajetórias, experiências de trabalho anterior, expectativas de vida e representações sobre cooperação; 2) identificar o perfil epidemiológico da comunidade; 3) realizar um mapeamento das necessidades e dos modos cotidianos instituídos para lidar com os problemas emergentes, no que refere à gestão da produção, aos cuidados com a saúde e o meio ambiente e à formação técnica e política dos assentados; 4) compreender como se dão as relações de gênero e o papel da mulher nas práticas de cuidado com a saúde e o meio ambiente e de formação dos assentados. Espera-se reunir subsídios para contribuir com a construção de indicadores de avaliação das condições de vida, a elaboração e implementação de programas de promoção da saúde da comunidade e de formação e capacitação dos sujeitos para a gestão dos assentamentos. (AU)