Resumo
O conhecimento dos processos que determinam padrões de diversidade biológica é fundamental para a conservação da biodiversidade como entidade evolutiva. Este conhecimento pode, em princípio, ser alcançado através de estudos de diversidade genética molecular de populações naturais que visam revelar a biogeografia histórica das espécies - i.e. filogeografia. Este tipo de estudos tem geralmente confirmado a hipótese de que a biogeografia histórica de muitos organismos foi influenciada pelas oscilações climáticas do período quaternário. Atualmente, apesar de existirem já excelentes trabalhos de revisão sobre os processos evolutivos que determinaram a diversificação biológica em zonas temperadas da Europa e América do Norte e, em menor grau, em regiões tropicais da Austrália, África e da América do Sul, muito pouco se conhece ainda sobre os neotrópicos. A Mata Atlântica do Brasil é considerada um "hotspot" mundial de biodiversidade e, no entanto, os processos evolutivos que originaram este ecossistema extraordinariamente diverso permanecem quase desconhecidos. Os estudos filogeográficos são ainda nascentes na região, mas prevê-se que sejam fundamentais para revelar a história evolutiva de organismos de um dos biomas mais ameaçados do planeta. Assim, a nossa proposta de pesquisa prevê um estudo filogeográfico de seis espécies de anfíbios anuros amplamente distribuídos na Mata Atlântica do Brasil. Usando os anfíbios como organismos-modelo, os nossos objetivos gerais serão: 1) descrever e comparar padrões de diversidade genética (mitocondrial e nuclear) e de diversidade fenotípica (morfologia e vocalização) de várias populações de anuros associados a ambientes de floresta da Mata Atlântica; e 2) usar metodologias de filogeografia e filogenética comparada associadas à modelação da distribuição das espécies em ambientes paleoclimáticos, para analisar os padrões de diversidade biológica e testar hipóteses sobre os processos que a originaram, na pouco conhecida Mata Atlântica do Brasil. Especificamente, pretendemos avaliar se a biogeografia das várias espécies foi concomitante com as flutuações da distribuição geográfica da Mata Atlântica ao longo do quaternário e, em que medida os nossos resultados confirmarão hipóteses correntes sobre refúgios pleistocênicos. O conhecimento da história evolutiva de espécies de anfíbios será importante para a seleção de áreas prioritárias para a conservação do bioma da Mata Atlântica do Brasil. (AU)
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