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II Colóquio Justiça, Virtude e Democracia: da amizade ao reconhecimento - a fortuna histórica da philia

Processo: 09/02049-1
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Organização de Reunião Científica
Vigência: 17 de junho de 2009 - 19 de junho de 2009
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - História da Filosofia
Pesquisador responsável:Marisa da Silva Lopes
Beneficiário:Marisa da Silva Lopes
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Assunto(s):Justiça  Virtude  Reconhecimento  Democracia 

Resumo

Apesar da abrangência da noção de philia entre os gregos, pode-se dizer que ela é elo da sociabilidade. A philia politiké, na medida em que é uma virtude, é devedora, ao menos idealmente, de um padrão de conduta em relação ao amigo segundo o qual jamais se infringe a justiça, pois não se desrespeita a igualdade nos direitos e deveres em relação àquele que é um outro de mim mesmo. Ao contrário da doutrina política da Antiguidade, em vigor até a Idade Média, que se identifica com uma ordem normativa do comportamento virtuoso, desde o Renascimento, as categoriais fundamentais da ontologia social estão centradas na luta por autoconservação, razão pela qual o fim supremo da práxis política deixa de ser a realização da natureza do homem no quadro social de uma coletividade política, para tornar-se o freio de conflitos iminentes pela imposição de poder face ao poder do próximo. Para superar os equívocos atomísticos da tradição do direito natural moderno, cujo resultado é uma comunidade de homens pensada segundo o modelo abstrato da concatenação de indivíduos isolados, Hegel afirmará que a organização social pressupõe uma espécie de base natural de socialização humana caracterizada por formas elementares de convívio intersubjetivo. Não por acaso, Axel Honnet encontrará em Hegel os elementos mais gerais de sua tese de que a base da interação é o conflito, e sua gramática, a luta por reconhecimento. Experiências de desrespeito são capazes de suscitar ações que restaurem relações de reconhecimento com teor normativo em esferas de formação da identidade prática do indivíduo. Projetos de auto-realização pessoal podem ser objeto de estima social, que se dá na base de finalidades partilhadas em comum sem, contudo, ferir o princípio da autonomia individual. Teria a philia politiké aristotélica algo a dizer a respeito da "força solidarizante da formação coletiva da identidade" honnetiana? (AU)