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Tocaia no fórum: violência e modernidade

Processo: 11/12623-7
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de setembro de 2011 - 31 de agosto de 2012
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História do Brasil
Pesquisador responsável:Pedro Geraldo Saadi Tosi
Beneficiário:Pedro Geraldo Saadi Tosi
Instituição-sede: Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (FCHS). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Franca. Franca , SP, Brasil
Assunto(s):Violência  Regionalismo 

Resumo

Trata-se de estudo de uma sucessão de fatos ocorridos na cidade Passos, localizada no sudeste de Minas Gerais e que o autor, a exemplo dos coevos, denomina Tocaia no Fórum. Tais fatos foram tratados pelos que descreveram o calor da hora e se encrustraram na literatura de Mário Palmério, além de uma plêiade de referências da memória que se traduzem em textos recentes baseados no assunto.A obra resulta de trabalho de investigação que retomou a discussão da violência, a partir de um episódio de referência ocorrido no Sudeste de Minas Gerais, nos primeiros tempos da Primeira República. Muito dos fatos foram preservados na épica da oralidade como manifestação de jaguncismo. A violência da qual se revestem os fatos revela-os como um fenômeno complexo, cujos fatos foram interpretados ao desamparo das teorizações tradicionais sobre oligarquia, coronelismo e mandonismo; ao contrário, emanava de complicados arranjos na malha de mercado, submissa às oscilações de hegemonia política nos seus vínculos com os mecanismos de coerção, extração e legitimação, na localidade e nas esferas do Estado e da União. O trabalho procurou estabelecer um amplo e profícuo diálogo com os atores e narradores das violências, captado em testemunhos documentais e orais, e cotejados com a literatura. Esse percurso revelou, ainda, fundamental para desmistificar o vínculo entre violência e jaguncismo, tal como o utilizado pela historiografia da oralidade e para redirecionar a compreensão. O percurso de investigação levou o trabalho a captar os enrrugamentos no chão das materialidade e do tecido político que levaram à organização de nucleações que se baseavam em relações de freguesia e lhes conferiam coesão e sentido, inclusive, incorporando brechas para o uso de menio não convencionais a violência das funções de campangas que se teciam ao nível da camaradagem e funcionavam como coadjuvantes na extração de votos e se alinhavam ou não às esferas mais abrangentes. No caso analisado a ruptura desse alinhamento estimulou a disseminação de um discurso ideológico focado na ameaça à ordem pública por um jaguncismo cuja existência não se comprovou. Essa ideologia serviu de escudo à intervenção do Estado para liquidar a nucleação oposicionista e utilizou as mesmas táticas de violência do jaguncismo, porém, perpetrados pela própria polícia: uma tocaia no fórum, onde este tipo de fenômeno deveria ser esconjurado pela Justiça. Em suma o tratamento dialético evidenciou que as teorizações convencionais deixavam escapar aspectos significativos para a compreensão da violência. O trabalho aponta para necessidade de estudos mais avançados sobre os processos de modernicação do estado republicano em comuidades interioranas em que certos bafejos do modernismo cultural e se tornavam visíveis nos hábitos de vida que se manifestavam no cotidiano. (AU)