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Rearranjamento do proteoma do veneno de Bothrops jararaca pela transição de filhote para adulto

Resumo

As atividades farmacológicas do veneno da serpente Bothrops jararaca passam por um variação ontogenética significativa. Da mesma forma, a dieta desta espécie muda de presas ectotérmicas na idade juvenil para presas endotérmicas na vida adulta. Neste estudo, utilizando amostras de venenos de filhotes (110) e adultos (694), demonstramos que ocorre uma significante mudança ontogenética na complexidade do proteoma do veneno da B. jararaca. Eletroforese bidimensional acoplada à identificação de proteínas por espectrometria de massas revelou um claro rearranjo do arsenal de toxinas tanto em termos do proteoma total quanto do glicoproteoma. A N-glicosilação parece desempenhar um papel chave na variabilidade protéica entre os venenos de filhotes e adultos. Com o desenvolvimento da serpente, o subproteoma de metaloproteinases passa por uma clara mudança: o veneno de filhotes é rico em enzimas da classe P-III, enquanto que o veneno de adultos tem um perfil rico em enzimas da classe P-I. Por outro lado, o perfil do subproteoma de serinoproteinases não varia significativamente na transição de filhote para adulto. Utilizamos a marcação dos peptídeos tripsínicos com tags isóbaros (iTRAQ) pela primeira vez para a análise quantitativa da variação ontogenética de proteínas do veneno de B. jararaca. Esta análise mostrou mudanças em várias classes de toxinas, especialmente nas metaloproteinases. Nosso estudo expande a compreensão sobre a variação na complexidade do veneno desta serpente, particularmente a variação de toxinas associadas com a patologia do envenenamento. (AU)