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O filme de estrada no cinema de ficção do Brasil (1960-1980)

Processo: 10/05715-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de abril de 2012 - 31 de março de 2014
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Comunicação - Comunicação Visual
Pesquisador responsável:Samuel José Holanda de Paiva
Beneficiário:Samuel José Holanda de Paiva
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):13/19181-5 - Aperfeiçoamento de banco de dados sobre produção audiovisual, BP.TT
12/06694-1 - Criação de banco de dados sobre produção audiovisual, BP.TT
Assunto(s):História do cinema  Ficção (gênero) 

Resumo

Esta pesquisa inscreve-se no âmbito dos questionamentos relacionadas aos gêneros cinematográficos, procurando compreendê-los com suas definições, funções e contextos, tendo em vista a dimensão internacional do road movie, problematizada, contudo, a partir de sentidos culturais específicos revelados na produção brasileira. Nesse sentido, dentre os conceitos norteadores da proposta de pesquisa, a noção de "transculturação" se constitui como uma referência, remetendo a uma área de estudos das Ciências Sociais que concebe a ideia de uma transformação mútua de culturas, no contato entre elas, pressupondo intercâmbio, permuta, mestiçagens, hibridismos entre diversos países, nações, regiões.Considerada tal perspectiva, algumas perguntas estão postas, tais como: qual ou quais seriam os contextos favoráveis à compreensão do caráter transcultural do filme de estrada no Brasil? Em que medida os filmes de estrada realizados neste país poderiam constituir uma referência para a compreensão do gênero road movie em uma perspectiva transnacional? Qual ou quais seriam os recortes oportunos à construção de tal objeto? Como hipótese, é possível pensar que a produção ficcional brasileira de filmes de estrada, por um lado, pode reiterar algumas matrizes associadas ao gênero road movie em contextos diversos e, por outro, pode apresentar características específicas relacionadas a aspectos históricos, sociopolíticos e econômicos do Brasil. Por sua vez, a metodologia estrutura-se em três fases fundamentais. A primeira etapa prevê a utilização de "instrumentos documentais", tal como propõem Jacques Aumont e Michel Marie em seu livro "L'analyse des films", ou seja, reúne toda sorte de documentos escritos, bibliográficos, que possam servir à construção aprimorada do corpus da pesquisa, no caso, sobre os filmes de estrada de ficção brasileiros (roteiros, planos de produção, anotações dos realizadores, entrevistas, reportagens, etc.). A segunda fase da metodologia consiste no visionamento dos filmes acompanhado da análise fílmica de cada longa-metragem que compõe o corpus definido na seção anterior. Tal análise, tendo em vista o interesse na perspectiva transcultural, estará orientada pelas noções de "forma externa" (relacionada a cenários, figurinos, objetos, enquadramentos, montagens, em suma, às convenções audiovisuais recorrentes) e "forma interna" (o tipo de história, o tema e a natureza das suas convenções), tal como propõe Edward Buscombe em seu estudo sobre "a idéia de gênero no cinema americano", considerando-se também outros seguidores norte-americanos do mesmo método, como, por exemplo, Rick Altman e David Laderman. Além disso, nessa segunda etapa da metodologia, para a descrição das formas internas e externas dos filmes a serem analisados, serão utilizados "instrumentos descritivos", tal como propõe Jacques Aumont e Michel Marie em sua proposta de análise fílmica, ou seja, ocorrerão descrições de imagens e sons, decupagens de planos e/ou sequências narrativas que, no caso, favoreçam os objetivos da pesquisa em termos de uma compreensão do filme de estrada no Brasil. A terceira e última fase da metodologia, pautada pela proposta de Jean-Claude Bernardet apresentada no livro Historiografia clássica do cinema brasileiro: metodologia e pedagogia, estará voltada para a definição das "linhas de coerência" - a partir das formas internas e externas de cada filme, traçadas na etapa anterior -, as quais agora serão cotejadas no conjunto e subconjuntos de filmes que constituem o corpus da pesquisa. Assim, com esse último estágio, será possível a elaboração dos principais aspectos relacionados a uma história do filme de estrada de ficção no Brasil, o que permitirá também uma reflexão teórica sobre esse gênero específico e, ao mesmo tempo, uma contribuição à teoria dos gêneros audiovisuais de maneira mais universal. (AU)

Matéria(s) publicada(s) na Revista Pesquisa FAPESP sobre o auxílio::
O Brasil na estrada