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Interpretações do patrimônio

Processo: 12/01960-5
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de abril de 2012 - 30 de setembro de 2013
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo - Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
Pesquisador responsável:Sarah Feldman
Beneficiário:Sarah Feldman
Instituição-sede: Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos (IAU). Universidade de São Paulo (USP). São Carlos , SP, Brasil
Assunto(s):Arquitetura moderna  Patrimônio cultural  Preservação arquitetônica  América Latina  Publicações de divulgação científica  Livros 

Resumo

Mais de setenta anos após a criação do SPHAN, um conjunto significativo de experiências e reflexões permite verificar a constituição de um campo cultural próprio de intervenção arquitetônica em bens patrimoniais. As interlocuções entre Brasil, Europa e América Latina ajudam a compreender a integração do país no cenário internacional. Nesse sentido, pode-se localizar o SPHAN como vanguarda nos debates sobre a preservação até a década de 1950, ao invés de um caso singular no contexto do movimento moderno, como vem sendo interpretado. As análises entre preservação e modernidade oferecem novas perspectivas à visão corrente e senso comum de que a Arquitetura e o Urbanismo Moderno, e, em particular, a Carta de Atenas, formulada a partir do IV CIAM (1933), estão fundados num radical anti-historicismo e propõem a "tábula rasa" como único método de intervenção urbana. A análise da atuação de profissionais de diversas nacionalidades, sobretudo vinculados à arquitetura e urbanismo moderno, desde os anos 1930 até a redação da Carta de Veneza, em 1964, permite evidenciar a contribuição fundamental do modernismo para o aprofundamento e atualização das teorias e tendências no campo da preservação e intervenções no século XX.Como estudo de caso dessas dinâmicas, dois projetos, realizados em Salvador, Bahia, foram selecionados: o restauro e adaptação do Convento de Santa Teresa para instalação do Museu de Arte Sacra da Bahia, projeto de Wladimir Alves de Souza e Geraldo Câmara (1957-9), e a restauração e adequação do Solar do Unhão para abrigar o Museu de Arte Moderna da Bahia, sob responsabilidade de Lina Bo Bardi (1961-3). Por meio deles é possível explicitar os novos problemas do patrimônio nas décadas seguintes, assim como acompanhar as alterações que se processaram nessa área no Brasil, entre o final da década de 1950 e o início dos anos 1960. As novas posturas de intervenção sobre os bens patrimoniais, em particular a introdução dos princípios da "restauração crítica" no país, fazem parte desse processo de transformação, que também envolve a atuação de profissionais não vinculados organicamente ao SPHAN e a participação mais ativa de entidades como o IAB e a UNESCO, além da criação de novas instituições com incidência na área como ICOMOS (1964), EMBRATUR (1966), entre outras. A análise histórica e a avaliação mais precisa do período estudado visam a contribuir para a melhor compreensão das teorias e práticas em torno do restauro e da intervenção no patrimônio cultural, cada vez mais relevante na formação e no exercício profissional de arquitetos e urbanistas. (AU)